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Nº 014 | Ano 2 | Ago 1997
OPINIÃO
OPINIÃO

Mudanças na Free-way podem trazer mais acidentes

Guilherme Barbosa

Quando se projeta uma estrada, alguns critérios são levados em conta: o número de veículos por hora que por ela irão trafegar, a velocidade que ali será permitida, os tipos de veículos que a usarão, e aí por diante. Estas escolhas são importantes porque a partir delas a estrada propriamente dita é projetada: quantas faixas rolamento terá, a largura das mesmas, a espessura do pavimento, a largura também do acostamento.

A auto-estrada Porto Alegre/Osório foi enquadrada como classe especial que é a principal categoria de rodovias no Brasil. Sua velocidade máxima seria de 120 km/h, tendo duas faixas de rolamento com 3,75 m de largura, um acostamento interno com 1,2m e outro à esquerda com 3,3m.

Com estas características a estrada poderia absorver 4.000 veículos por hora, com a segurança necessária para esta categoria de rodovia.

Pois veio agora o senhor Ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, a público, dizer que a nossa auto-estrada terá três pistas de rolamento. Todos nós ficamos felizes, já que isto nos permitiria “desengarrafar” aquela rodovia nas horas de pique dos finais de semana do verão. A alegria, no entanto, durou pouco. O ministro completou sua expla-nação dizendo que a estrada não seria alargada, mas que o surgimento da nova faixa dar-se-ia pelo estreitamento das já existentes e pelo aproveitamento (pelo menos parcial) do acostamento à esquerda. Este desejo do senhor Eliseu Padilha significa uma possibilidade muito arriscada que poderá trazer danos à muitas vidas. Senão, vejamos.

Ao estreitar a largura das pistas, duas situações podem ser imaginadas. A primeira, necessitando uma vigorosa fiscalização da polícia rodoviária para diminuir a velocidade na rodovia, com o intuito de manter o nível de segurança da mesma. Caso isto seja conseguido, anula-se o objetivo de ter-se uma terceira faixa de rolamento, pois velocidade menor significa menor fluxo de veículos. A segundo situação será a de manter a velocidade média atual (80km/h), diminuindo, portanto, a segurança na auto-estrada, trazendo muito mais acidentes. Acrescente-se ainda que a utilização do acostamento também reduzirá a segurança da via, impondo àqueles que dele precisarem um elevado risco de sofre abalroamento.

Pelo que sabemos não há projeto de engenharia apresentado ao órgão competente, e ouso afirmar, não haverá, pois como se depreende do que foi dito até agora, trata-se de um completo absurdo que cheira apenas à demagogia.

Tomemos como exemplo a Estrada do Mar, que inexplicavelmente, teve o seu acostamento asfaltado nas mesmas condições das faixas de rolamento. O que se vê hoje é um elevado índice de acidentes naquela rodovia, pois as pessoas têm usado o acostamento como se fosse mais uma faixa, e não o é. Pois bem. o que o senhor Ministro dos Transportes quer fazer é repetir esta situação perigosa, colocando em risco milhares de vidas.

Portanto, é necessário que haja uma revisão desta decisão insustentável do ponto de vista técnico. Já são muitos os mortos nas nossas estradas em virtude da irresponsabilidade de muitos motoristas. Não podemos agora aumentá-los em função da irresponsabilidade política desta medida, diminuindo a segurança desta importantíssima rodovia.

* Guilherme Barbosa é engenheiro, vereador e presidente do Diretório Municipal do PT de Porto Alegre.

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