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Nº 015| Ano 2 | Set 1997
ENSINO PRIVADO
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Sinpro/RS fez pré-estréia de Guerra de Canudos

Cerca de 350 professores associados assistiram gratuitamente e em primeira mão o filme Guerra de Canudos, do diretor Sérgio Rezende, nos dias 26, 27 e 28 de setembro. A promoção fez parte do programa Pré-estréia para professores idealizado pela entidade e se limitou aos sócios de Porto Alegre e região Metropolitana por questões técnicas. O sindicato está estudando a possibilidade de estender o projeto para o interior. Para outubro, já está fechado acordo para a pré-estréia de Lua de Outubro, de Henrique Freitas Lima.

As três sessões de pré-estréia do Guerra de Canudos, promovidas pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul em Porto Alegre, foram bastante concorridas. O filme entrará no circuito nacional de cinema a partir do dia 3 de outubro.

O sindicato está estudando a possibilidade de estender iniciativas como está para o interior do estado. Iniciado em abril deste ano com o pré-lançamento de O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto, o programa Pré-estréia para professores, que conta com o apoio das editoras Fotoletras e Grande Sul, terá a exibição de Lua de Outubro, de Henrique Freitas Lima, ainda neste ano.

Guerra de Canudos narra a história da família de Zé Lucena (interpretado por Paulo Betti) e a saga de Antônio Conselheiro (papel vivido por José Wilker), no sertão da Bahia, no início da década de 90, do século passado. Na absoluta miséria, o sertanejo Lucena vê em Conselheiro a possibilidade de uma nova vida e decide acompanhar o beato, levando consigo a mulher, Penha (vivida por Marieta Severo), e os filhos Luíza (Cláudia Abreu), Toinho (Jorge Neves) e a pequena Teresa (Dandara Ohana Guerra). Assustada com a figura de Conselheiro, Luiza resolve fugir. A família, no entanto, se estabelece com o beato e seus seguidores em Canudos, onde levanta-se uma cidade (Belo Monte), munida pela fé e pelos alimentos partilhados por todos.

Insurgindo-se contra a República, Antônio Conselheiro é visto como uma ameaça ao Estado. Inicia-se, então, uma impiedosa campanha militar contra Canudos. Para derrotar o beato e seus seguidores, o governo envia quatro expedições, sendo que, na terceira, recorre ao temido Coronel Moreira César (interpretado por Tonico Pereira), conhecido como o “corta-cabeças”ou o “treme-terra”, derrotado pelos conselheiristas. No dia 5 de outubro de 1897, o general Artur Oscar (José de Abreu) e cinco mil soldados arrasam Canudos. Entre a tropa, o jornalista Pedro Martins (Roberto Bomtempo) cobre passo a passo o desenrolar do conflito. Também atuam no filme, Tuca Andrada, Eliezer de Almeida, Denise Weinberg, Ernani Moraes, Murilo Grossi, Elias Mendonça, Dody Só, Lamartine Ferreira, Jurandir de Oliveira, Camilo Beliváqua, Orlando Vieira, Mario Gadelha, Alexandre da Costa, José Marinho, Marcelo Prado, Péricles Palmeira e Paulo Ribeiro. A produção é de Mariza Leão, figurino de Beth Filipécki, música de Edu Lobo, cenografia de Henrique Murthé, e efeitos especiais de Federico Farfan.

FONTES – Diretor de Até a última gota (documentário, 1980), O sonho não acabou (1982), O Homem da Capa Preta (1986), Doida demais (1989), A child from the South (produção da televisão inglesa, 1991) e Lamarca (1994), Sérgio Rezende, 45 anos, diz que o novo filme foi mais um esforço de conhecer e revelar a história do país. A idéia surgiu em 1991, quando lia o livro Os sertões, de Euclides da Cunha, lançado cinco anos depois – 1905 – da derrota ocorrida em Belo Monte. O escritor também cobriu o conflito para o jornal O Estado de São Paulo. Mas Rezende acabou debruçando-se no roteiro três anos mais tarde, em parceria com Paulo Halm.

Além do livro de Euclides da Cunha, Rezende utilizou como fonte informações do jornalista Manoel Benício que escreveu sobre Canudos e que lançou um livro sobre o Conselheiro, chamado O rei dos jagunços. Também leu vários livros de militares sobre o conflito, que serviram como inspiração. Há alguns textos utilizados no filme que foram extraídos literalmente das obras pesquisadas. Por exemplo, o texto que Marieta Severo diz no final é a transcrição do interrogatório de uma prisioneira, que está no livro de Euclides da Cunha. “Embora não seja baseado nele, o filme é absolutamente inspirado em Os Sertões”, conta o diretor.

A produção foi iniciada em fevereiro de 96 e o filme começou a ser rodado em 14 de julho. Foram cerca de 40 horas de imagens editadas em 2h 45min de filme. O lançamento da obra coincide com as atividades que assinalam o centenário do final da Guerra de Canudos, um dos episódios que marcou o final do século XIX e início da República brasileira.

Inteiramente rodado na cidade de Juazeiro, na Bahia, Guerra de Canudos foi realizado no maior cenário já feito no Brasil: setecentas casas e duas igrejas, em 30 mil metros quadrados de área, reproduziram a vila de Antônio Conselheiro. O épico, uma superprodução com orçamento de R$ 6 milhões, tem cenas com até mil figurantes. Cerca de 70 profissionais brasileiros e cinco técnicos mexicanos trabalharam nos efeitos especiais nas cenas de batalhas. O exército brasileiro cedeu à produção 600 armamentos da época, inclusive canhões, além de liberar soldados para figurar nas cenas de guerra. Outras informações sobre o filme podem ser acessadas pela Internet através do endereço: http://www.canudos.com.br.

FILME NAS ESCOLAS

O Sinpro/RS também está distribuindo o kit Projeto Escola Guerra de Canudos. Trata-se de um material de divulgação do filme nas salas de aula, que contém ficha de aplicação didática e uma fita de vídeo do making off (documentário das filmagens do filme) de 30 minutos, além de outras informações para que os professores possam trabalhar com seus alunos.

Escolas interessadas em receber este material devem entrar em contato com o sindicato.

O Sinpro/RS ainda está intermediando sessões exclusivas do filme, com custos reduzidos, para instituições de ensino da rede particular interessadas em exibi-lo a seus alunos.

Veja também A república sertaneja da Belo Monte.

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