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Nº 016 | Ano 2 | Out 1997
EDUCAÇÃO
EDUCAÇÃO

Multirreferencialidade na formação docente

Luiz Carlos Barbosa

Uma edição modesta e um livro generoso: Multirreferencialidade na formação do “professor-pesquisador” – da conformidade à complexidade. Assim pode ser definido o trabalho que o professor Sérgio da Costa Borba acaba de lançar, num itinerário que vem desde a Universidade de Alagoas, passa pelas universidades da Bahia, Rio de Janeiro e desembarcou na PUCRS de Porto Alegre. Lançamentos acompanhados de debates são uma espécie de continuidade de sua atividade de professor e pesquisador na Universidade Federal de Alagoas.

Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Paris VIII e especialista em Educação para a Saúde pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Borba é gaúcho de Osório, formado em Letras pela UFRGS , e tem uma longa experiência no ensino fundamental e no 3? grau. “Quero contribuir com a possibilidade de uma formação, paradoxalmente mais horizontal e vertical, abissal, da professora-pesquisadora, do professor-pesquisador, do pesquisador nas Ciências da Educação e nas outras ciências e artes, enquanto espaços de criação, pesquisa e formação”, explica ele, autor de A problemática do analfabetismo no Brasil, sua dissertação de mestrado (também na França), editada pela Vozes.

Segundo Sérgio Borba, Multirreferencialidade é uma espécie de síntese crítica de sua experiência docente e de pesquisador, através de múltiplos referenciais teóricos que incluem Freud, Marx e Castoriadis, por exemplo. Ele assinala que a obra é recomendada para professores-pesquisadores nas diversas áreas do conhecimento. “A multirreferencialidade propõe o exame do próprio campo de pesquisa a partir de ângulos diferentes e de diferentes domínios de análise”, esclarece, acrescentando que sua tese não propõe o ecletismo, mas a multirreferencialidade na perspectiva de Vigotski, articulando elementos objetivos e subjetivos na educação e formação do cidadão.

Um dos procedimentos abordados no livro é o recurso – semelhante ao diário de campo da antropologia – do jornal de pesquisa, em que o pesquisador comenta, analisa e se auto-analisa na relação com o trabalho. “Desta forma, verbalizando dificuldades, opções e decisões, o pesquisador se distancia criticamente do processo. Isso contribui para a superação de dificuldades e humaniza a relação entre sujeito e objeto de pesquisa. Nesta perspectiva, Borba trabalha com os conceitos de alienação (em Marx) e desejo (em Freud). “A formação em educação envolve uma extrema complexidade com a qual o professor precisa articular seu cotidiano sem sucumbir à conformidade”, acrescenta para justificar o subtítulo da Conformidade à complexidade.

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