Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 021 | Ano 3 |Mai 1998
ENSINO PRIVADO
ENSINO PRIVADO

Trajetória de ousadia

Márcia Camarano

A professora Elinor Fortes, 81 anos, é uma pessoa incomum em todos os aspectos. Quando já poderia ter ido para casa há muito tempo, curtir a aposentadoria, ela pode ser encontrada dando aulas no pós-graduação do curso de Veterinária da UFRGS. Muito à frente de seu tempo, enveredou para o movimento sindical, quando as mulheres nem pensavam nisso. Fez parte da primeira diretoria do Sinpro/ RS, em 1938, ajudando a construir a história do Sindicato.

Numa época em que era pecado mortal a mulher se separar do marido, foi isso o que fez quando percebeu que seu casamento só lhe traria aborrecimentos. Não bastasse isso, foi a primeira mulher a fazer o curso de Veterinária no Rio Grande Sul. Com esse perfil arrojado, é fácil entender porque, apesar da idade, a professora Elinor é repleta de vitalidade.

Ela foi a secretária da primeira direção formada para comandar o Sindicato. Eram tempos difíceis aqueles, em meio à Segunda Grande Guerra. Em 1937, a professora recém formada vai para o Colégio Concórdia. “Havia eleição e me indicaram para a chapa. O problema eram os vencimentos dos professores particulares, muito aquém do que se precisava”. Daquela época, Elinor não lembra muita coisa. Talvez que as reuniões eram feitas na casa do presidente. Mas recorda que aquele era o início da sua longa carreira de professora.

Pois a história conta que no dia 5 de maio de 1938 ocorreu a primeira reunião para criação do Sindicato dos Professores Particulares, na casa de José Luiz do Prado, seu primeiro presidente. Desse período em diante, há um hiato na história da entidade que precisa ser recuperado.

No final dos anos 70, o Sinpro/RS dedicava-se a tarefas administrativas e assistenciais. A preocupação era fazer um sindicato economicamente forte. Conta a história que, ao invés de lutar com a categoria, a intenção era a assistência médica, herança de um sindicalismo atrelado. Em 79, com a mobilização da sociedade pela abertura política, o Sindicato passou a ser pressionado a abandonar o “peleguismo” e o assistencialismo.

Na década de 80, os professores oriundos das chapas de oposição (o primeiro candidato à presidência do Sinpro/RS, por uma chapa de oposição, foi o atual prefeito de Porto Alegre, Raul Pont, em 1980) realizam campanhas de sindicalização nas escolas, com o objetivo de ampliar o quadro de associados e construir um movimento politicamente avançado, autônomo e que pressionasse a direção da época a assumir a luta. Em 1986, após duas tentativas frustradas, a oposição consegue vencer as eleições do Sinpro/RS, assumindo a presidência o professor Marcos Júlio Fuhr.

Em 1987, houve a primeira greve geral da categoria, que durou 18 dias. Em outubro desse ano, o Sinpro/RS realiza seu Primeiro Congresso Estadual de Professores das Escolas Particulares. Em 1988, ano do cinqüentenário do Sindicato, foram feitas várias atividades comemorativas, como exposição de fotos e documentos históricos, baile dos 50 anos, torneio de esportes e um seminário sobre “educação, os professores e a Constituinte Estadual”. Os estatutos da entidade sofrem uma profunda remodelação. Em 89, três greves agitam a vida do sindicato.

Em 1992, ocorrem profundas alterações na linha editorial do Jornal do Sinpro/RS (hoje Extra Classe), que passa a se diferenciar dos demais veículos da imprensa sindical. E também é neste ano que toma corpo o Sindicato Cidadão. A idéia é forjar um cidadão coletivo, co-responsável pelos destinos da sociedade e sua construção rumo a melhores dias. Visão que marca uma nova fa-se na atividade sindical gaúcha e que baliza a atuação da entidade até os dias de hoje.

O Sinpro/RS atualmente possui 15 delegacias distribuídas pelas principais regiões do estado. Elas têm dinâmica própria, mas articulada com a diretoria central. A figura do presidente foi substituída por um colegiado. “Nós acreditamos que essa é a forma mais democrática de funcionamento”, diz Amarildo Pedro Cenci, responsável pela Administração e Finanças.

As secretarias estão assim constituídas: Comunicação e Divulgação; Administração e Finanças; Assuntos Jurídicos; Cultura; Educação; Políticas Sindicais; Organização; Formação; Políticas Sociais.

Uma área responsável pelo sucesso organizativo do Sinpro/RS é o Cadastramento que, a partir de 92, sofreu uma remodelação de modo a não se perder sócios nem dinheiro em virtude da troca de uma escola por outra. O cadastro passou a ser, efetivamente, uma ficha de atualização completa de dados.

Hoje, pelo programa implementado, é possível rastrear um professor que saiu de uma escola e saber para onde ele foi, o que permite que esse associado não perca o vínculo com sua entidade.

ASSEMBLÉIA – Os professores comemoram os 60 anos do Sinpro/RS na assembléia geral do dia 23 de maio com uma torta. O ex-presidente e atual diretor da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer do sindicato, Marcos Fuhr, a professora Elinor Fortes, uma das fundadoras da entidade, Hermengarda Cavalheiro, presidente da Apaepers, e José Roberto Torres Machado, presidente da Fetee-Sul, apagaram as velinhas. Elinor Fortes também recebeu flores dos professores pelo trabalho desenvolvido junto a entidade.
Homenagem na Câmara de Porto Alegre

“Não poderíamos deixar de homenagear um sindicato que dá uma aula de cidadania, que além da luta cotidiana da categoria, participa das mais diversas discussões e que pensa a sociedade”, destacou o vereador Adeli Sell (PT), no último dia 21 de maio, durante a homenagem da Câmara Municipal de Porto Alegre ao Sinpro/RS pela passagem do seu 60º aniversário. A homenagem foi proposta pelo vereador Adeli Sell e realizada no Plenário Otávio Rocha.

Os vereadores destacaram como conquistas do Sinpro/RS a expansão da entidade no interior do estado, a adoção do conceito Sindicato Cidadão, a implantação da diretoria colegiada, o envolvimento da entidade em promoções culturais, a linha editorial do jornal Extra Classe – lançado em março de 1996 – e o debate permanente da educação. “O Sinpro/RS é uma referência política e cultural do estado”, assegurou o vereador Gerson Almeida (PT). “Me sinto gratificado por ser um dos dez mil sócios do sindicato. Aqueles que participaram sabem da luta desta entidade para chegar a ser o que é hoje”, disse o vereador Carlos Garcia (PSB). Entre os convidados, o vice-prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti, o representante da Secretaria Municipal de Cultura, Milton Braga, e a representante da Secretaria Municipal de Educação, Marta Martins.

O Sinpro/RS também foi homenageado pelas Câmaras Municipais de Vereadores de Rio Grande, Passo Fundo, Lajeado e Santa Rosa.

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