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Nº 022 | Ano 3| Jun 1998
OPINIÃO
OPINIÃO

No embalo da rede – Literatura em Português na Internet

Sandra Costa

Queixa comum: tudo o que tem de bom na Internet vem em inglês. Tudo? Ora, tudo; tudo é exagero. A imensa maioria do que tem de bom na Internet vem em inglês (e o mesmo acontece com o que tem de não bom), porém, dentro deste pouco de bom que nos chega às mãos na língua mãe, há um subconjunto especialmente bom: o das bibliotecas virtuais.

Literatura eletrônica. Ora vejam só. Os e-texts (electronic texts ou textos eletrônicos) são conquistas tecnológicas recentes, principalmente no hemisfério de cá, mas não tão recentes que não tenham projetos bem desenvolvidos como o Vercial (www.ipn.pt/ opsis/litera/) e o Escola do Futuro (www. bibvirt.futuro.usp.br/).

O Vercial, uma página de literatura portuguesa que se intitula a maior base de dados sobre literatura portuguesa, oferece amostras de textos de quase 200 autores, alguns, em versão integral. São clássicos da literatura portuguesa, a maioria dos quais só teríamos acesso com considerável investimento de esforço, tempo, dinheiro. Além de uma breve biografia dos autores há resenhas dos livros e links relacionados. A busca é por autor, título ou período literário. O acesso é gratuito. Quem visitar verá.

Já a página Escola do Futuro/USP, que se intitula A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro e olha que é mesmo, traz literatura brasileira. Estão lá desde Aluísio de Azevedo até Visconde de Taunay. Todos com o texto integral. Do Machado de Assis, por exemplo, tem O alienista, Casa velha, Esaú e Jacó e Memorial de Aires. A busca é por autor, o acesso é franco, o acervo cresce. Além da biblioteca de literatura, entre outras, há uma de material didático. Vai que tem.

Há outras, muitas outras páginas eletrônicas com acervos menores. Pesquisando, em qualquer sistema de busca via palavras chave como textos ou literatura colhe-se centenas. Dentre estas centenas, há www. escolanet.com.br (ver links em sites de estudos); www.e-net.com.br/contos (um Jornal do Conto); www.clfc.com.br (clube dos leitores de ficção científica) além de muitas outras provavelmente mais ao seu gosto as quais, se você quiser, descobrirá.

Então é isso. Agora, como lê-las? Porque não faz sentido gastar dezenas horas de acesso à Internet para ler um livro na tela, muito menos imprimir centenas de páginas quando é possível copiar o conteúdo da rede para um disquete (procedimento bem fácil) e lê-lo a partir de um editor de textos comum. Descontando prováveis olhos avermelhados, você sairá das suas sessões de leitura tão cultural e espiritualmente enriquecido quanto se os tivesse lido nas páginas dos livros. Quem sabe, até mais. Existe algo de bom na internet em português sim.

* Sandra Costa é tradutora de Inglês e freqüenta a Oficina de Criação Literária da PUC/RS. Porto Alegre

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