Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 030 | Ano 4 | Abr 1999
EXTRA CLASSE
PAUTA

O Raio de Bauru

Ninguém, mas ninguém mesmo gostou da piada de um raio na subestação de Bauru, interior de São Paulo, como explicação para o blecaute que deixou 55 milhões de pessoas às escuras no país no dia 12 de março. Entre elas dois terços dos gaúchos.

Na verdade, a apagão era mais que uma possibilidade. Era óbvio. Senão, vejamos:

1)Nos últimos oito anos, nem uma única usina de geração de energia foi construída no Rio Grande do Sul (apesar de o consumo ter se expandido em cerca de 22% no período). Com isso, o estado passou a “importar” 70% da energia que consome.

2)Na privatização da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), em 1998, 54% da receita da empresa passaram para as mãos da iniciativa privada e 88% das dívidas ficaram com a companhia. Em função disso, a empresa opera atualmente com um déficit mensal da ordem de R$ 20 milhões.

3)O verão mais quente dos últimos anos foi também o recordista em consumo de energia. Desde 18 de janeiro, nada menos que cinco recordes foram batidos no pico de consumo. O maior foi na primeira semana de março, que fechou com consumo de 3.456 megawatts.

Com essa equação perversa, considerar o blecaute um acidente é no mínimo piada de mau gosto

VERÃO 2000

Diante desse quadro, dá pra perguntar: teremos um verão 2000 igualzinho ao de 1999?

A atual direção da CEEE garante que não. Primeiro porque a companhia obteve autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para ampliar, em caráter emergencial, a entrada de energia no estado em 300 megawatts. Isso somado à operação da primeira turbina da usina termelétrica de Uruguaiana, que funcionará em dezembro, aumentará a oferta de eletricidade no Rio Grande do Sul em 13% até o final deste ano.

Em segundo lugar, a estratégia de transmissão mudará. Dentro desse esforço de emergência, a CEEE vai aumentar a entrada de energia por Santo Ângelo e São Borja, desafogando a central de Gravataí. A estação ainda é o único ingresso de energia do estado e, só neste verão, foram registrados dois incêndios na unidade devido à sobrecarga. Isso, segundo a direção da empresa, vai “diminuir” os riscos de desabastecimento.

Depois, com o país em recessão, é provável que a demanda de energia não aumente ou, até, diminua. Mas é bom não esquecer que a megafábrica da GM estará funcionando a pleno vapor justamente no verão e na região metropolitana do estado, a que mais consome energia no Rio Grande do Sul.

Diante desse quadro, dá pra perguntar: teremos um verão 2000 igualzinho ao de 1999?

A atual direção da CEEE garante que não. Primeiro porque a companhia obteve autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para ampliar, em caráter emergencial, a entrada de energia no estado em 300 megawatts. Isso somado à operação da primeira turbina da usina termelétrica de Uruguaiana, que funcionará em dezembro, aumentará a oferta de eletricidade no Rio Grande do Sul em 13% até o final deste ano.

Em segundo lugar, a estratégia de transmissão mudará. Dentro desse esforço de emergência, a CEEE vai aumentar a entrada de energia por Santo Ângelo e São Borja, desafogando a central de Gravataí. A estação ainda é o único ingresso de energia do estado e, só neste verão, foram registrados dois incêndios na unidade devido à sobrecarga. Isso, segundo a direção da empresa, vai “diminuir” os riscos de desabastecimento.

Depois, com o país em recessão, é provável que a demanda de energia não aumente ou, até, diminua. Mas é bom não esquecer que a megafábrica da GM estará funcionando a pleno vapor justamente no verão e na região metropolitana do estado, a que mais consome energia no Rio Grande do Sul.

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COTAÇÃO

Não é só o real que despenca ladeira abaixo nos primeiros meses do ano. A cotação do presidente Fernando Henrique Cardoso também caiu, nada menos que 40% de dezembro do ano passado até o início de março. Esse índice representa o número de pessoas que deixou de considerar o governo de FH “ótimo ou bom” segundo a maioria dos institutos de pesquisa do país. Desde fevereiro de 1997, pico da popularidade de FH, a cotação já desabou 68%. No momento de maior desvalorização, o real perdeu cerca de 90% de seu valor.

Na outra ponta da cotação de FH, a valorização do índice “ruim ou péssimo” subiu 53%.

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