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Nº 030 | Ano 4 | Abr 1999
CULTURA
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Polytheama foi cinema pioneiro no Rio Grande do Sul

O cinema em Porto Alegre viveu seu glamour nos anos 30. Entre as 17 salas estavam os Cine-Theatros Carlos Gomes, Imperial e Capitólio. A primeira sala da cidade e do estado – a Polytheama – foi inaugurada em 1900, quando a cidade abrigava 74 mil habitantes. Em 1960, os cinéfilos podiam optar entre 42 salas. A gama de variedades caiu para 40 cinemas em 1970 e despencou para 21 em 1980, auge da decadência . O mercado reagiu em 1991, atingindo 35 e continuou ascendendo para as 51 salas atuais.

A quantidade de salas, no entanto, não aumentou na mesma proporção de sua capacidade. No padrão antigo de cinema, uma sala comportava em média 600 pessoas. Hoje, essa média não passa de 250 cadeiras. Para se ter uma idéia da diferença, em 1970 havia 24 mil assentos em Porto Alegre contra 12.750 de 1999. “De toda forma, havia ociosidade”, reconhece Ricardo Difini Leite, do sindicato dos exibidores.

Com mais alternativas, o consumidor ficou mais exigente. Além do vídeo, vilão dos anos 80, o cinema também compete com as TVs a cabo e vídeos-clube, além de outras opções de lazer. Atrair as pessoas para dentro das salas, por isso, pressupõe oferecer algo melhor do que elas dispõem em suas casas.

A estudante Karine Dutra, por exemplo, nunca entrou num cinema de rua. Aos 16 anos, estudante do 3º ano do nível médio da Escola Säo Judas Tadeu, em Porto Alegre, ela vai apenas aos cinemas dos shoppings. Os footing na Rua da Praia dos anos 30, onde as moçoilas encontravam seus pares e seguiam de braços dados aos mezaninos dos cinemas, não existem mais. Foram substituídos pelas voltinhas no comércio abundante e uma esticadinha à Praça de Alimentação, entre uma paquera e outra.

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