Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 041 | Ano 5 | Mai 2000
NEI LISBOA

Esse povo não se contenta nem com cachaça

Nei Lisboa

Inspirado na série “Itens enviados” do jornal NÃO, em que o Giba Assis Brasil revela parte da sua intensa correspondência via e-mail, resolvi seguir o exemplo e publicar parte da minha, que, como podem ver, é muito bem freqüentada – ou muito mal, do ponto de vista daqueles baderneiros revanchistas que andaram estragando a festa dos quinhentos anos.

Para: [email protected]

“Lamento muito tudo o que aconteceu. E compreendo o quanto é difícil um navio navegar, ainda mais com verba tão escassa. Parece oportuna a sua idéia de abrir um bingo temático flutuante ao largo da costa da Bahia.”

Para: [email protected]

“Não fique assim. Como você mesmo disse, ninguém morreu ou sequer ficou inválido. Não deixe um traumazinho desses desviar seu pensamento do rumo claro que sempre teve. Pense que você não fez o que tinha de ser não feito, quero dizer, o importante é que o melhor para o Brasil é ter um pé na cozinha. Mais ou menos isso. E pega leve no Beaujolais.”

Para: [email protected]

“É claro, general, se vocês soubessem que repercurtiria mal de qualquer jeito… Mas acho que uma vítima ou duas só faria piorar as coisas, com tanta cobertura internacional. Escreva para esse seu amigo chileno, quem sabe ele sugere algo discreto para o próximo dia do índio.”

Para: [email protected]

“Segue anexo a receita da vó Amália, mas não garanto que funcione quando a depressão é aguda. E a vovó era índia. Numa hora dessas… Não seria melhor ele tentar outra temporada em Paris?”

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“Também achei tudo normal e democrático, esse povo é que não se contenta nem com cachaça nem com Sangalo. Depois, quando a gente distribui porrada no prostíbulo, dizem que faltou educação.”

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“Não fui à festa daqui e então não posso garantir. Mas bem pode ter sido uma gaita desafinada que fez com que incendiassem o relógio. O pessoal aqui do sul (como na África do Sul, lembra?) se irrita por qualquer coisinha.”

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“Bom saber que a receita funcionou e você está melhor. É hora de dar aquelas entrevistas sobre crescimento, inflação baixa, essas coisas. Talvez sugerindo que, com as notas de plástico, os salários vão durar mais. Como o povo esquece tudo muito rápido, até a próxima eleição todos os estragos podem ser compensados. E – veja só do que você vai se livrar – quando comemorarem os seiscentos anos, você e o ACM não vão mais estar no poder. Ou vão?”

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