Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 042 | Ano 5|Jun 2000
EXTRAPAUTA

Extra Pauta

Crises

Não bastassem as crises nacionais, as dificuldades econômicas dos vizinhos argentinos também prometem afetar os setores produtivos brasileiros. Leia-se aí nível de emprego na indústria de transformação. Maior importador de produtos manufaturados, o corte tende a reduzir as vendas de manufaturados brasileiros com destaque para autopeças, veículos e eletroeletrônicos em geral. Recessivo, o pacote prevê cortes nos salários de servidores federais e aumento de juros. É mais uma tentativa de manter a paridade de um para um entre peso e dólar, sustentáculo – há quase uma década – da estabilidade argentina. Mais uma vez os escolhidos para pagar a conta são os trabalhadores: boa parte dos especialistas ouvidos sobre o pacote argentino não têm dúvida que o nível de emprego vai cair ainda mais na vizinha Argentina.

Dá-lhe, Chico

Chico Buarque vetou a utilização de qualquer obra sua na Expo 2000, que se realiza em Hannover (Alemanha), que começou no dia 1o de junho. O compositor justificou sua decisão dizendo que não pretende ver seu trabalho vinculado em qualquer nível ao governo federal. O pavilhão brasileiro é coordenado pelo filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, e custou R$ 13, 7 milhões. A música “O que será?” deveria ser usada num filme promocional produzido especialmente para o evento. O filme As Cidades, que apresenta show e entrevistas de Chico, também está fora da programação de Hannover

Operação Condor em documentos

Passou praticamente despercebido, pelas recentes matérias jornalísticas, um documento datado de outubro de 1975 e que apresenta um convite para a primeira reunião de trabalho da famosa Operação Condor – que uniu os aparatos repressivos do Brasil Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai nos anos 70. O documento é um dos tantos das cinco toneladas de papéis guardados em Assunção e abertos em 1992, mas que até agora foram parcamente consultados por razões óbvias.

A professora Sinara Fajardo foi uma das pessoas que manuseou os documentos, cercada por metralhadoras e por não mais que quatro dias. A pressão é tamanha que nem mesmo autoridades diplomáticas, políticos ou pesquisadores podem olhar os textos com liberdade. Sinara anexou o documento à sua tese de mestrado, que discorre sobre espionagem política no Rio Grande do Sul.

O documento é bem claro: apresenta os fundamentos do que era então considerado subversão, propõe uma ação conjunta dos países citados e apresenta até mesmo instruções para mensagens cifradas (em código) dos participantes. O convite foi feito pelo governo chileno e é a prova mais contundente recolhida até agora da Operação Condor, ainda que este nome não tenha sido citado jamais em qualquer documento oficial emitido pelos países envolvidos.

Outro texto também aparece como prova cabal da existência de colaboração. Trata-se da apresentação da IV Conferência Bilateral de Informações entre os Exércitos do Brasil e do Paraguai, datado de 24 de julho de 1976. Como dá a entender, os dois exércitos realizavam encontros periódicos para avaliar as ações terroristas. Na IV Conferência, estaria em debate o período de novembro de 1974 até a data da reunião.

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