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Nº 048 | Ano 5 | Dez 2000
CULTURA

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Jéferson Assunção

É para levar a um maior número de pessoas “o mais humano dos hábitos”, como bem o definiu o escritor Moacyr Scliar, que um grupo de professores, escritores e leitores comuns integra há 20 anos a Associação Internacional de Leitura Conselho Brasil Sul (ALBS).

Parte brasileira e gaúcha da Associação Internacional de Leitura (International Reading Association -IRA -, sediada em Newark – EUA – e que leva a leitura a várias partes do mundo), a associação tem como objetivo promover a leitura e debater os diversos olhares sobre a produção literária, principalmente a brasileira e portuguesa. Um tanto desmotivada – quem sabe devido à tamanha resistência dos brasileiros em ler? – a entidade andava devagar, quase parando, até que, desde o início do ano passado, uma nova página tem sido virada na história da entidade.

Com uma nova presidente, a professora do Centro Universitário La Salle (Unilasalle) Lia Scholze, a ALBS vem retomando suas atividades. Os ex-associados estão sendo contatados e interessados, convidados a participar. Em pouco tempo de retomada, o Conselho Brasil Sul – único do País – já tem o que comemorar, e não é pouco.

Uma das novidades é a sede (uma sala no sexto andar da Usina do Gasômetro), cedida pela Prefeitura de Porto Alegre. Ali se estruturam as diversas atividades da ALBS.

Apesar de formada em sua maioria por professores, a associação não quer ser apenas um espaço de discussão acadêmica e sim de formas práticas de se levar a leitura a um maior número de pessoas. Por isso, suas diversas palestras e encontros são abertos a qualquer um, independente de formação ou não na área de literatura. “Não há pré-requisito, pois são oportunidades abertas a todos os interessados. Nossos objetivos são aproximar os leitores dos livros e os leitores entre si”, fala Lia. A presidente diz que a principal preocupação da ALBS é fazer com que mais pessoas cheguem a um melhor patamar de cultura. “A leitura amplia o mundo e a entidade quer dar sua contribuição ao desenvolvimento da leitura em todos os espaços em que se faça possível, estabelecendo parcerias com todos aqueles que tiverem o ato de ler como objetivo de seu trabalho”, afirma.

Além de palestras e encontros, a entidade cria “espaços de troca” para professores da área. Um deles é um ciclo itinerante que já passou pela Usina do Gasômetro, Ritter dos Reis e terá uma próxima edição na Fapa, dia 6 de dezembro. Será uma conferência sobre a obra de Guimarães Rosa, com a doutora em Literatura Regina Silveira. Outra ação que está sendo programada pela nova diretoria é a publicação mensal de Leitura em Revista, em parceria com a Universidade de Ijuí (Unijuí). A previsão de Lia é que a revista comece a circular em maio de 2001, com venda em livrarias de todo o Estado. Vai discutir leitura, é claro.

Na mesma trilha árida da leitura no Brasil – país que lê um livro per capita ano, enquanto Chile, Uruguai e Argentina lêem quatro e países desenvolvidos, de 15 a 25 per capita/ano – a ALBS tem vários passos previstos. Entre eles, reeditar o Boletim da ALBS, criar a home page da entidade – que trará diversas informações sobre leitura e literatura – criar um banco de dados sobre profissionais da área de leitura e literatura, organizar uma agenda de encontros mensais, em sua sede, com especialistas na área de leitura e literatura. Lia também pretende criar Núcleos Regionais da ALBS, no interior do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e Paraná – um desses núcleos foi criado em 1999 em Ijuí. Pregando no deserto, mas com a consciência tranqüila por fazer sua parte, desde sua fundação, em 3 de maio de 1979, a ALBS já promoveu cinco encontros nacionais do livro, sete encontros regionais de pesquisa e leitura, dois seminários nacionais de literatura do 3º mundo, um encontro sobre Política do Livro Didático e Ensino de 1º e 2º Graus e o 1º Encontro Literatura na Escola. Quem quiser fazer sua parte do grupo e ajudar a disseminar o hábito da leitura pode entrar em contato pelo endereço eletrônico albs@ritterdosreis.br ou pelo telefone (51) 212.5979 ramal 244. Motivos para entrar em uma associação destas? Todos, afinal trata-se de um tipo de solidariedade mais que necessária a uma sociedade tão carente de leitura, e que, por conseqüência, vive num mundo tão pequeno quanto sem graça.

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