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Nº 050 | Ano 6|Abr 2001
ESPECIAL
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A mídia nacional conspira pelo silêncio

 

Lançado em 19 de janeiro de 2001, Memórias das Trevas provocou um obsequioso silêncio de quase toda a imprensa nacional. No Observatório de Imprensa, Alberto Dines flagra esta omissão em O Complô do Silêncio. Dines escreve. “A mídia nacional (com honrosa exceção de IstoÉ), apoiada pela máquina administrativa do senado e o governo da Bahia, jogou-se numa operação escancarada para abafar a repercussão do livro. Na semana de lançamento (20-28 de janeiro) saiu uma única matéria traçando o perfil de seu autor, um dos mais importantes intelectuais da Bahia. E esta matéria saiu na IstoÉ. Uma entrevista do autor para Valor, com duração de uma hora, saiu tão escondida mas tão escondida que pode ser considerada como caso de estudo sobre a inocente técnica de “matar” um assunto fingindo que está sendo promovido”.

É certo que a trajetória de ACM pelo submundo da baixa política é conhecida. Escândalos não faltam em sua vida pública. Como Ministro das Comunicações no governo Sarney promoveu um festival de concessões de canais de rádio e televisão. Capitaneou a negociata escandalosa do governo federal montar uma operação para salvar um banco privado, no caso o Banco Econômico, de seu amigo Ângelo Calmon de Sá, que teria financiado sua campanha com mais de US$ 1,1 milhão. Estava envolvido, conforme denúncia da revista Veja, em um esquema de sonegação, lavagem de dinheiro e remessa ilegal de dólares, através do Caixa 2 da empreiteira OAS ( empresa do genro César Matta Pires), em cifras que chegam perto de US$ 300 milhões, para contas no exterior. Em novembro de 2000, a revista IstoÉ denuncia que a família de ACM detém 79% das ações da empreiteira, que segundo denúncias da Polícia Federal teria desviado ilegalmente US$ 500 milhões. E a OAS à sombra do poder, vai faturando com obras públicas. Fez a reforma no aeroporto de Salvador e a construção da fábrica da Ford na Bahia.

Enfim, sobram denúncias mas a fortuna de Magalhães vai engordando. “Ele é um dos homens mais ricos do país. Sua fortuna é incalculável e ele não consegue explicar isso. Nada existe no nome dele. A TV, afiliada da Rede Globo na Bahia, uma agência de publicidade, uma construtora, várias outras emissoras de TV, ações milionárias na Petrobrás e no Banco do Brasil e investimentos na área industrial”, enumera Gomes. Hoje, ACM criou a holding Bahiapar, para aglutinar os negócios da família.

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