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Nº 051 | Ano 6 | Mai 2001
CULTURA
CULTURA

Passado, presente, mito e realidade

Mas quem eram estes cavaleiros? Existem várias concepções distintas sobre esta ordem militar. Uma delas tem origem nos romance de cavalaria de Sir Walter Scott. Em Ivanhoé, por exemplo, o personagem Brian de Bois-Guilbert é um anti-herói demoníaco, “valente como os mais intrépidos de sua ordem, mas com a mácula de seus costumeiros vícios, orgulho, arrogância, crueldade e luxúria: um homem insensível que não teme nem a terra nem o céu”, escreve Scott. Outros dois Grãos-mestres descritos em suas obras não são diferentes. É o caso de Lucas de Beaumanoir, também de Ivanhoé, descrito como um fanático e Giles de Amaury, um tipo traiçoeiro no Romance O Talismã. Em contraponto, na Ópera Persifal, de Wagner, cavaleiros similares aos templários aparecem, desta vez, como guardiães do Santo Graal, o cálice sagrado utilizado por Jesus na santa ceia. Embora, a semelhança seja apenas superficial, o libreto do século 19 se baseou em um poema de século 13, sendo o suficiente para atiçar a imaginação das gerações futuras em ver realidade onde só há ficção. No final do século XX os templários também mereceriam lugar de destaque no romance O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco. Neste livro, Eco ironiza justamente as teses conspiracionistas e o surgimento de mitos, como o dos templários, sua apropriação por seitas esotéricas e o fanatismo destes grupos. O tema das teses conspiracionistas seria abordado mais tarde em Caminhos pelos Bosques da Ficção, um conjunto de palestras em que o autor discorre sobre o perigo de a ficção se tornar uma realidade historicamente aceita ou popularmente reconhecida embora, muitas vezes, tenham origem em obras de ficção e teses forjadas, inconsistentes.
Embora a compilação de Read tenha mais virtudes do que equívocos, o escritor também resvala nessas teses conspiracionistas e insinua que a inspiração para a formação da SS de Himler, a polícia especial de Hitler, teria partido dos Cavaleiros Teutônicos, ordem semelhante à dos templários existente na Alemanha, no mesmo período das cruzadas, com objetivos similares de expansão da fé cristã, só que em direção à Europa oriental. Também tenta relacioná-los com os zelotes, que eram brigadas judias de cavaleiros efeminados, porém sanguinários e excelentes soldados protetores do Templo de Salomão durante a ocupação romana da Galiléia. Interpretações que a professora Cybele Almeida, da Ufrgs considera um pouco exageradas e difíceis de justificar. Mesmo assim ela considera o trabalho de Read indicado para iniciantes no tema e até como material de apoio em sala de aula. .
Mas Read não pára por aí. Para ele, existem extraordinários paralelos entre o passado e o presente na história dos templários. Ele vê no imperador germânico Frederico II de Hohenstaufen um governante cuja amoralidade idiossincrática remete a Nero, no passado remoto e a Hitler em tempos recentes. Também considera o conceito medieval de um Sacro Império Romano muito semelhantes às aspirações para a União Européia, para aqueles que a criaram. Os assassinos na Síria são descendentes dos sicários judeus e ancestrais dos homens-bombas do Hesbolah. A atitude de muitos muçulmanos do oriente Médio para com o moderno Estado de Israel é muito parecida com a de seus ancestrais para com o reino cruzado de Jerusalém. E o autor vai adiante e indaga ao leitor sobre quantos líderes árabes, de Abdul Naser a Sadan Hussein não gostariam de tornar-se um Saladino dos nossos tempos, derrotando os invasores infiéis. .

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