Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 055| Ano 6| Set 2001
NEI LISBOA

Sumindo do mapa

Nei Lisboa

Rola na Internet um mapa metido a engraçadinho do continente sul-americano, onde a área correspondente à Argentina aparece (ou desaparece) como uma extensão do Atlântico intitulada “Mar da Alegria”. Alegria, supõe-se, pela crise a que o país vizinho vem sendo submetido, e que o levaria a uma virtual supressão como nação. É de impressionar, de fato, a profundidade do desastre econômico e social imposto aos argentinos pelo consórcio internacional da agiotagem e do livre-comércio ao longo dos governos Menem e De la Rúa – e pelos próprios argentinos que os elegeram. É lógica das mais difíceis de se entender, se não admitirmos a infinita sordidez e inconsciência dos seres humanos, que um país deixe a tormenta de décadas de ditadura militar para mergulhar em décadas de esquartejamento sócio-econômico da população, com os mesmos patrocinadores. Coisas da Argentina, claro. Por aqui é tudo muito diferente, e se dia desses aparecer um outro mapa na Internet, onde a área correspondente ao Brasil desapareça dentro de um, digamos, “Mar del Contentamiento”, será apenas provocação. Mas, por via das dúvidas, compre um colete salva-vidas.

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Agradeço, sensibilizado, as dezenas de mensagens e cumprimentos, mas sou obrigado a revelar – eu não sou o pai da Anita! A confusão com a Mel Lisboa, que interpreta a personagem na minissérie da Globo, corre por conta de que o pai (o Bebeto Alves) é um compositor gaúcho, e a mãe (a Claudia Lisboa) lhe empresta um sobrenome igual ao meu, embora não tenhamos nenhum parentesco. Brinquei com a situação em um show, dizendo que o Bebeto deveria assumir que a Mel fora adotada numa época em que eu não tinha condições de criá-la. Dias depois, descobri espantado que essa história andava sendo contada à sério. Definitivamente, na teledramaturgia do mundo, acredita-se no que parece ou no que se quer, e a realidade que se dane.

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Começou quase sem aviso, e os portoalegrenses ficaram se perguntando o que seriam aquelas largas faixas verdes nos cruzamentos, os totens de sinalização, as obras em canteiros. Achei o suspense tão genial quanto a idéia de uma ciclovia dominical (será que é isso mesmo!?) de simples construção, ligando vários parques da cidade. Parece que inaugura nesse início de setembro, e a primavera da cidade vai ficar ainda mais interessante com esse fluxo de gente pedalando de um lado a outro. No dia da largada, vou chegar bem cedinho e tentar uma pole position com o meu triciclo.

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