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Nº 057 | Ano 6 | Nov 2001
CULTURA

Uma Bienal para repensar Porto Alegre

Jimi Joe

bienal

Foto: René Cabrales

Foto: René Cabrales

A III Bienal do Mercosul, que vai até o dia 16 de dezembro, iniciou sob a égide da gratuidade. Não uma gratuidade artística, mas em termos de acesso do público. Ao contrário de edições anteriores, este ano todos os espaços que abrigam obras têm entrada franca. A terceira edição do evento foi marcada em seus primeiros dias não por ortodoxos quadros pendendo de paredes, embora a 3B, como está sendo familiarmente chamada, tenha excelentes mostras retrospectivas como a do muralista mexicano Diego Rivera e do expressionista norueguês Edvard Munch, conhecido pelo grande público através da obra O Grito, mas por performances que tiveram o Hospital Psiquiátrico São Pedro como palco e o uso do corpo como elemento maior da obra de arte. É a arte figurativa no seu ápice.

Centrada geograficamente nos países que integram o Mercosul, a Bienal, em sua terceira edição, pretende continuar prestando tributo à produção artística contemporânea e este ano lança um olhar particularizado às obras engendradas por artistas peruanos e destaca o trabalho do videomaker porto-alegrense Rafael França, falecido precocemente em 1988. “A Bienal é um evento de grande importância para Porto Alegre. Durante dois meses ela cria uma ênfase especial para as artes plásticas, que são normalmente relegadas a um segundo plano durante a maior parte do tempo pela mídia que prefere dar atenção a qualquer outro tipo de evento que não envolva as artes plásticas”, observa o jornalista, crítico de arte e galerista Décio Presser.

Para a gaúcha Angélica de Morais, jornalista e crítica de arte radicada em São Paulo há mais de 20 anos, a Bienal do Mercosul é de fundamental importância. Editora do Caderno D, suplemento da revista Bravo! voltado para o debate da arte, Angélica ainda não teve tempo de conferir de perto a nova edição, mas garante que vai visitar a mostra até novembro, a exemplo do que já fez nas duas edições anteriores. “A Bienal do Mercosul já se tornou uma necessidade no cenário artístico nacional ao proporcionar esse encontro do público com os novos nomes da arte contemporânea”, analisa.

A repercussão internacional pôde ser comprovada no Canadá, em outubro último, enquanto a Bienal abria suas mostras em Porto Alegre, pela professora de artes Ecléa Cattani, que criou o curso de monitoria do evento. Participando de um encontro com diversos artistas, ela diz que sentiu das pessoas dos mais diversos países, a admiração pela mostra de Porto Alegre. Mais que a oportunidade de ver obras importantes na história da arte como as de Diego Rivera e Edvard Munch, a Bienal representa um desafio estético para o público.

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