Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 059 | Ano 7 | Mar 2002
NEI LISBOA

Agora chega!

Quero fazer campanha pro Lula esse ano até entre a cachorrada aqui da rua que, se não vota, pelo menos faz (os meus principalmente) um barulho danado. Vivi toda a minha vida na expectativa da esquerda tomar o poder nesse país e fazer algo na direção de torná-lo menos miserável e injusto. Já se vão quatro décadas desde que essa última casta de oligarcas embarcou no Planalto pela mão dos milicos e não desembarcou mais. Agora chega. Vamos ganhar esta eleição. E digo esta, não a de 2006 ou 2010, porque tem que ser agora, tem que ser antes da ALCA, tem que ser antes que nos assaltem a alma, como na Argentina, e que não sobre mais país pra se governar. Tem que ser agora, tem que ser no voto, tem que ser na raça, na inteligência, tem que ser mostrando todos os furos da direita, toda a pilantragem, a perfídia, a burrice e a subserviência que nos legou esse continente de fome, de doença, de violência.

Coisa que muito vi na vida, também (e quem não viu?), foi a esquerda derrotar-se a si mesma em disputas fratricidas e por vezes fictícias – questiúnculas elevadas ao centro do debate, vaidades ideologizadas – junto a uma tremenda inabilidade em focar o poder, a vitória eleitoral, como objetivo maior, talvez por hábito arraigado nos tempos em que isso era apenas um sonho proibido. É preciso construir a vitória, antes de mais nada, amparada na certeza de que as melhores intenções e proposições são e serão as nossas, de nós todos, desse Nós imenso que acreditamos nas largas bandeiras da democracia, da igualdade e da justiça social e que podemos exibir as atitudes do passado como comprovação. Porque se assim nos balizarmos, de coração e de fato, não há de faltar desprendimento e lucidez para discutir, detalhar e aprimorar projetos e práticas de administração a cada instante e ao longo do caminho. Como escreveu o Saramago, para o Fórum Social, o ideário pelo qual a esquerda parece ansiar como um passado desaparecido e que tanto lhe é cobrado – ora, já está todo prontinho, bem detalhado e redigido há mais de cinqüenta anos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. O resto é farofa e banana frita, se tiver pra acompanhar, melhor.

Então, vou fazer campanha pro Lula e pro PT como nunca, e ainda mais contente estarei se avistar na trincheira extratos do PDT, do PMDB, e de outros tantos partidos, desde que eu possa reconhecer como gente que sempre lutou, resistiu, sonhou pelo Bem. Vou fazer campanha quase como louco. A não ser, é claro, que me digam que votando no PT tenho que votar também no PL. Porque, puxa vida, louco varrido não sou não, se esperei todos esses anos certamente não foi pra votar em quem apoiava a ditadura, que espécie de vitória pensam que seria isso? Perto dessa idéia, sou mais eu e mais são planejando a campanha de 2014 com a cachorrada da rua.

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