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Nº 059 | Ano 7 | Mar 2002
EXTRATO

Conversas com Noam Chomsky

César Fraga
O intelectual norte-americano faz severas críticas à política externa de seu país

O intelectual norte-americano faz severas críticas à política externa de seu país

Quem não esteve no Fórum Social Mundial ou esteve e não conseguiu vencer o acotovelamento para assistir a palestra de Noam Chomsky não se desespere. Todas as recentes entrevistas do renomado escritor e professor de lingüística no Massachussets Institute of Tecnology (MIT), nos EUA, e severo crítico das políticas norte-americanas para o mundo estão disponíveis no livro 11 de Setembro (Bertrand do Brasil). São questionamentos feitos por diversos jornalistas do mundo inteiro a partir dos episódios ocorridos em 11 de setembro do ano passado, quando as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, foram derrubadas. São 141 páginas de perguntas respondidas por Chomsky durante o mês, em que se seguiram aos atentados. Veja um alguns extratos do livro:

“Durante os últimos séculos, os Estados Unidos exterminaram as populações indígenas (milhões de pessoas), conquistaram a metade do México (na verdade territórios indígenas mas isso já é outra questão), intervieram com violência nas regiões vizinhas, conquistaram o Havaí e as Filipinas (matando centenas de milhares de filipinos) e, nos últimos cinqüenta anos, particularmente valeram-se da força para impor-se à boa parte do mundo. O número de vítimas é colossal. Pela primeira vez as armas voltaram-se contra nós”.

“Os atentados terroristas, por sua atrocidade, são um presente para os mais inflexíveis e repressores elementos de todas as facções e, com certeza, serão explorados – de fato já o foram – para acelerar o cronograma de militarização, arregimentação e revisão dos programas sociais democráticos, além de favorecer a transferência de riqueza para segmentos restritos e solapar a democracia em todas as suas formas relevantes.”

A tirania das marcas

A tirania das marcas em um planeta vendido (Editora Record), de Naomi Klein, é um apanhado de informações curiosas sobre o mundo das grandes corporações e uma espécie de manifesto. O New York Times, por exemplo, definiu o livro como uma espécie de Bíblia de um movimento. A imprensa inglesa o classificou como o equivalente ao Capital do crescente movimento anticorporartivo em todo o mundo. Na verdade o livro da jovem jornalista canadense de 32 anos, mais do que isso, é instigante pelos paralelos que traça. Por exemplo, os contratos de marketing firmados pela Nike com Magic Jhonson em 1992 (20 milhões de dólares) apresentam valores infinitamente superiores ao investimento em mão de obra da empresa com seus 30 mil trabalhadores na Indonésia. Antes de mais nada, Sem Logo denuncia o processo de traição das promessas centrais da era da informação: opções, interatividade e liberdade crescente.

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