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Nº 060 | Ano 7 | Abr 2002
EDITORIAL

Avançando para trás

Antes mesmo de ser avaliada pelo senado, a Força Sindical, arquiinimiga da CUT, resolveu flexibilizar a CLT por conta própria. Em nome de cerca de 145 mil metalúrgicos, acordou com o Sindipeças (sindicato patronal do setor de peças automotivas) do estado de São Paulo, alteração de cinco itens da atual legislação trabalhista: férias, participação nos lucros, licença-paternidade, horário-refeição e décimo-terceiro salário. Não bastasse o atropelo à Constituição Brasileira vigente, trataram logo, como bons cordeirinhos, de enviar uma cópia do acordo para o ministro do trabalho Francisco Dornelles. Com isso, o horário de refeição, por exemplo, fica reduzido de uma para meia hora apenas. Várias empresas já estariam adotando a medida, mas a Força admite o fato mas não divulga quais são. Quanto às outras perdas, ainda não puderam ser medidas. Porém, pelo menos por enquanto, quem as praticar estará infringindo a Lei e sujeito à fiscalização das DRTs. O contra-senso maior fica por conta do comentário do presidente da FS, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (candidato a deputado em SP ou vice de Alkmin pelo PPB), que compara a CUT a um museu. “Queremos modernizar as relações sindicais”, diz ele. Só que o conceito de modernidade parece ser o mesmo dos tempos da escravidão ou da ausência de leis de proteção ao trabalhador datadas do início da revolução industrial. Quem entende?

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