Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 061 | Ano 7 | Maio 2002

Cartas

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A edição do mês de abril está muito interessante pois aborda a política e os meios de comunicação. As reportagens foram realizadas com maestria por seus jornalistas, demonstrando um mundo encoberto pelos outros jornais que são super-superficiais.
Parabéns,
Alexandre Brusch, estudante
Quero sugerir uma matéria sobre inclusão de crianças com NEE no ensino regular. Coloco-me à disposição para dar maiores informações sobre o assunto, inclusive sobre um projeto de teatro-educação estamos apresentando em escolas da rede particular de ensino no RS e SC.
Um abraço
Ângela Coronel, professora

Olá redação!
Em primeiro lugar Parabéns pelo excelente trabalho. Profundidade e relevância dos temas abordados fazem do jornal um dos mais esperados do mês, a garantia de uma noticia independente e séria. Vocês conquistaram o produto em extinção: a credibilidade!!! Mais uma vez parabéns. O trabalho de vocês me deixa orgulhosa em ser professora e jornalista!
Ana Cláudia Klein, professora e jornalista

Carta aberta para Rubem Alves
Caro Rubem,

Permita-me tratá-lo com familiaridade. É que a literatura e as afinidades são assim: nos fazem pensar próximos do objeto de nosso cuidado. E cuido que, embora não te conheça, conheço alguma coisa do teu pensamento, que aprendi a admirar.

Mas hoje ouso um convite: apreciar e corrigir estas linhas que ora vão.

Começo com o Gilberto, professor de química lá do João Paulo I, e meu antigo colega do amado e lendário Santa Rosa de Lima da Tia Amélia, do Sany, do querido Landromar e do Kid Pinga…

Pois bem, o Giba, em suas aulas, não prioriza a informação como substrato pedagógico: familiariza-se logo com os alunos, pega-os pelo braço, enfim, transborda calor humano. Desta forma, conquista pra si e pra sua aula atenção e simpatia de todos.

Também em Química, contamos com a Adriana, que adota uma postura mais enérgica em sala de aula, tratando com rigor materno os casos de alheamento e indisciplina.

Tudo bem, mas onde quero chegar? Explico-me. Em artigo no Jornal do Sinpro de março de 2002, tu questionas o sistema escolar e sua medonha vocação de engaiolar as gentes, quer sejam educandas, quer sejam educadoras. Queres uma escola, como nós todos a queremos, que permita o pensamento, a curiosidade, a vida – sem respostas prontas. Mas tê-la, escola viva, como?

Aí me vem o que, Rubem, tu provocas com sucesso, o questionamento: será que o Giba e a Adri, mão no ombro e dedo em riste, não são as pontas de um círculo que se fecha para abrir? Isto é, não são partes de um jogo em que a saída é o pensamento do aluno? Comparando, falando mal e bem, que aprende com um e com outro brinca, que brinca com outro e aprende com um, nosso aluno já não está se aventurando, percebendo dedo em riste como abraço e abraço como dedo em riste?

Eu mesmo às vezes digo pras turmas de ensino médio: literatura pode servir pelo menos pra mostrar pra ti que pra ti serve pra nada! Triste? Não, porque as cartas (ou e-mails) estão à mesa sem rodeios ou disfarces. Não, porque o aluno pode gostar da minha franqueza. Não, porque o aluno pode sentir-se provocado. Não, porque o aluno sabe que a literatura o ajudará a passar de ano ou no vestibular, e então concluir que exagerei. Não, porque o aluno pode pensar que estou sendo irônico ou parceiro dele. E não porque sobretudo o meu trabalho, o das Adris e Gilbertos espalhados por aí, podem desmentir nossas idéias mais amargas.

Então, caro Rubem, viva a inútil saga do saber de tabuada! Pode ser que só de raiva um aluno nosso sinta falta da Adriana e do Gilberto e saia a construir asas de cera, como a vida é.

E pode ser que, ensino médio feito, eles continuem vindo aqui aos montes (como têm vindo), nos seguintes anos, com suas fotos e sorrisos, novas pastas mas as caras mesmas, as de raiva.

Prof.Ms. Marlon de Almeida

Universitário e João Paulo I

Autor de Domingo de Chuva e outras publicações de poesia

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