Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 066 | Ano 7 | Out 2002
ARTIGO

Caminhos para o uso do RPG na Educação

Rafael Baracy

Um dos maiores desafios pedagógicos, principalmente nos grandes centros, vem sendo resgatar o interesse e o estímulo dos alunos. O mundo mudou, e mudou rápido. A tecnologia da comunicação deu um salto gigantesco nos últimos dez anos. Assim, as fontes básicas de informação das crianças e dos adolescentes, a família e a escola, se vêem perdidas na nova sociedade que se vê surgindo nos anos 90 e 2000, com as revoluções tecnológicas, sociais, educacionais e até morais, que vem sendo jogadas em cima dos jovens e bombardeia a mente das crianças.

Assim como a Revolução Industrial representou uma série de profundas mudanças em todos os setores da sociedade do século XIX, a computação tem tudo para ser o novo grande marco da história humana. E, como tal, vem provocando profundas alterações, nem todas ainda perceptíveis. As grandes instituições, exatamente por serem quase impossiveis de serem monitoradas no seu todo, não conseguem se adaptar à nova realidade com a velocidade necessária, criando na escola um aspecto,muitas vezes de lentidão e de conhecimento desnecessário quando não nulo para os nossos jovens e adolescentes.

Um fenômeno bem nítido nestes novos tempos é a interatividade. A informação passada em mão única e a detenção onipotente do saber pelo professor são artifícios que não mais seduzem os jovens. Estes, com computador, internet, TV a cabo e revistas especializadas, estão acostumados a um mundo mais dinâmico, onde a troca de informações se processa em grande velocidade e, principalmente, com mais participação, mais interação.

Bem, mas o que o RPG (Role Playing Game) tem a ver com isso? O RPG pode trazer para a escola a interatividade, a participação no ensino e o interesse na escola bem como um interesse maior pela leitura, incentivando assim o hábito de ler, visto que, não se joga RPG sem ler e o rpg estimula a leitura em razão de ter atrelado a si, livros e textos para ajudar na compreensão das situações propostas. Da mesma forma que, no jogo, o jogador vai interferindo e mudando a história que vai sendo contada, na escola ele pode aprender ao mesmo tempo em que vai utilizando o que está sendo ensinado pelo professor na aula, claro temos que ter neste caso, professores dispostos a ensinar de maneiras não tradicionais.

O RPG estimula um raciocínio globalizante, muito importante para os dias de hoje. Ele não se contenta apenas com o que é, procurando sempre ter em mente o que pode ser. Ele deixa para trás o raciocínio linear da maioria dos jogos para assimilar um raciocínio totalitarista, que tenta agrupar ao mesmo tempo o cenário onde se encontra; os acontecimentos passados; as pessoas a sua volta, suas ações e intenções; os possíveis desdobramentos de cada um desses elementos; e as conseqüências das suas ações e das de seus companheiros.

O RPG funciona, então, como ferramenta para preparar o jovem a interagir na sociedade, tanto profissional quanto socialmente. Algumas empresas já utilizam o RPG para treinamento de pessoal, uma vez que a premissa básica do jogo é a simulação da realidade. Além disso, através do jogo, é possível resgatar valores morais e éticos que andam um pouco esquecidos.
Estimulo do raciocínio, cooperação e interação, além do auxílio a um desenvolvimento mental e social sadios, são o que o RPG pode fornecer à educação. Mas como fazê-lo na prática?

Locais que tem, com o uso do RPG em sala de aula, diminuído os índices de repetência e de êxodo escolar.

RPG tem características que o tornam uma excelente ferramenta educacional:

Socialização: A própria atividade de RPG desenvolve a socialização. Os jogadores conversam entre si e com o mestre, trocando idéias e expondo as ações de seus personagens. Juntos, eles criam uma história. Eles também aprendem que seus atos trazem conseqüências, pois a história muda de acordo com as ações dos personagens.

Cooperação: Para serem bem sucedidos diante dos desafios propostos pelo Mestre na história, os jogadores tem de cooperar entre si. As habilidades de seus personagens são complementares. O desenvolvimento do espírito de equipe é importantíssimo num mundo cercado de tantas atividades competitivas.

Criatividade: Os jogadores desenvolvem sua criatividade ao se imaginarem na história e ao decidirem como os seus personagens reagem e resolvem os desafios. Eles também podem criar seus personagens, históricos e personalidades.

Interatividade: Os jogadores estão constantemente interagindo entre si e com o mestre. Atividades interativas comprovadamente levam a uma maior fixação de conteúdo do que atividades expositivas. Os jogadores aprenderão muito sobre o cenário de jogo aonde se passa a história e sobre o que os seus personagens precisam saber para vencer os desafios da história.

Interdisciplinaridade: Uma única história pode abordar temas de várias disciplinas harmoniosamente. No exemplo proposto acima, a história pode abordar elementos de História (a época em que se passa a história), Geografia (o local da história, atividades humanas) e Biologia (conhecimentos de botânica da curandeira, Ecologia para o caçador).

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