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Nº 067 | Ano 7 | Nov 2002
ESPECIAL

Rei morto, rei posto

Paulo César Teixeira

Crescer. Esta é a palavra-chave da política econômica do presidente Luís Inácio Lula da Silva. É questão de honra para o novo governo retomar a curva ascendente da economia. Durante a era Fernando Henrique Cardoso, o país cresceu míseros 2% ao ano. Em 2006, Lula pretende encerrar o mandato que acaba de ganhar nas urnas com um índice de 5% ao ano. “Esta é a meta principal. Vamos mudar a economia do regime de baixo crescimento para o de crescimento sustentado”, afirma o professor Antônio Prado, da PUC/SP, coordenador executivo do programa econômico de Lula na campanha eleitoral.

Não será uma tarefa fácil. O novo presidente tomará posse diante de um cenário sombrio, tanto no plano interno, com uma recessão em marcha, como no exterior, onde a desaceleração do consumo e dos investimentos atinge Estados Unidos, Japão e os países europeus. “Lula herdará um pesado legado de FHC. Por esta razão, a cautela é necessária no primeiro ano de governo”, adverte o professor Jorge Mattoso, da Unicamp, licenciado para ocupar o cargo de Secretário de Relações Internacionais da prefeita Marta Suplicy, de São Paulo. Em 2003, Lula adotará uma política de transição, mantendo alguns itens básicos da macroeconomia de FHC, como o regime de câmbio flutuante, as metas inflacionárias e o superávit primário, necessário para reduzir a relação entre dívida pública líquida e PIB.

A idéia é introduzir, de forma gradual, alterações substanciais na economia, durante o período de transição. Uma das prioridades da equipe econômica de Lula é elevar o saldo da balança comercial, que hoje é de cerca de US$ 10 bilhões. Lula pretende dobrar a cifra já em 2004. Para isso, será criada a Secretaria de Comércio Exterior, diretamente vinculada à Presidência da República. A ela caberá o papel de articular as ações de cinco ministérios – Fazenda, Planejamento, Agricultura, Desenvolvimento e Relações Exteriores. Além de aumentar as exportações, o novo governo adotará uma política agressiva de substituição de importações. Lula quer estancar a sangria de dólares na balança comercial, produzida por setores como eletro eletrônico, químico e farmacêutico, além de máquinas e petróleo. Apenas o segmento eletroeletrônico é responsável por um rombo de US$ 9 bilhões/ano com a aquisição de equipamentos.

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