Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 110 | Ano 12 | Jan 2007
EXTRATO
MERCADO DE TRABALHO

Políticas públicas e economia solidária

Por Gilson Camargo e Daniela Santos

O balanço econômico e social das últimas duas décadas e meia no Brasil aponta para uma trajetória de declínio da economia e da geração de trabalho formal. Nesse período, a renda per capita ficou estagnada, enquanto o salário mínimo perdeu metade do seu poder aquisitivo; o desemprego aberto se multiplicou por mais de três vezes; a participação do rendimento do trabalho na renda nacional caiu de 50% na década de 80 para 36% em 2003; e o país caiu da oitava para a décima quarta posição entre as maiores economias industriais do mundo. O diagnóstico é do economista Marcio Pochmann, um dos autores da coletânea Políticas públicas de trabalho e renda no Brasil contemporâneo, lançamento da editora Cortez.

Organizado pelas professoras Maria Ozanira da Silva e Silva e Maria Carmelita Yazbek, a obra reúne nove artigos de 12 pesquisadores sobre o mundo do trabalho e da geração de renda, entre eles Pochmann, articulista do Extra Classe, e autor do texto de apresentação da coletânea, em que analisa as políticas públicas de geração de trabalho e renda em curso no país. Uma constatação que perpassa a maior parte dos textos é a de que o ambiente neoliberal tem contribuído para limitar, constranger ou até mesmo negar a capacidade de geração de trabalho e renda e “tem aprofundado o processo de desvalorização do uso e remuneração dos trabalhadores ativos”. Numa perspectiva histórica, a obra resgata as causas de fenômenos como a exclusão e a desigualdade de renda entre homens e mulheres, jovens e velhos e a precarização das relações de trabalho na atualidade.

A formatação do mercado de trabalho e a descaracterização dos direitos sociais são analisadas por Ricardo Antunes em uma abordagem sobre os efeitos das privatizações e desregulamentação da economia e das relações trabalhistas, do mundo financeiro e das leis fiscais. Erivã Velasco participa com uma análise sobre os jovens e as políticas públicas, na qual enfatiza a questão da vulnerabilidade dos jovens pela exposição a funções inferiores, com menores salários e jornadas mais intensas. Segundo o autor, os jovens estão mais sujeitos à precarização do trabalho e ao desemprego.

Rosangela Barbosa, por sua vez, contrapõe a economia solidária e as estratégias de governo à desregulamentação social do trabalho cada vez mais acentuada. Examina a informalização crescente do trabalho e aponta políticas bem-sucedidas de geração de empregos e renda. Há uma constatação de que o alarmante crescimento das atividades informais vem resultando em um processo de ressignificação das relações de trabalho na sociedade. Dessa forma, cada autor oferece a sua contribuição para uma leitura dessa realidade e aponta possibilidades de transformação, a exemplo das políticas públicas associadas à economia solidária.

A obra é resultado de um intercâmbio acadêmico entre o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUCSP e o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas. Envolve professores e alunos de cursos de mestrado e doutorado dessas instituições que objetivam a troca de experiência e produção conjunta de conhecimento sobre política pública de trabalho e renda no país.

Políticas públicas de trabalho e renda no Brasil contemporâneo
Editora Cortez, 207 p.
Organização de Maria Ozanira da Silva e Silva e Maria Carmelita Yazbek Coletânea de artigos de: Marcio Pochmann, Ricardo Antunes, Cláudia Mazzei Nogueira Salviana de Maria Pastor Santos Sousa, Maria Eunice Ferreira Damasceno Pereira, Rosangela Nair de Carvalho Barbosa, Izabel Cristina Dias Lira, Maria Virgínia Moreira Guilhon, Valéria Ferreira Santos de Almada Lima, Erivã Garcia Valesco.

Um desafio chamado Inclusão
Inclusão em Educação: culturas, políticas e práticas (Cortez Editora, 168 p.), organizado por Mônica Pereira dos Santos e Marcos Moreira Paulino. Resultado de um estudo do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ, a obra traça um panorama sobre o processo de inclusão de portadores de necessidades especiais na sociedade. Abrange questões como o desafio do educador com orientação inclusiva frente à globalização, construção de culturas, políticas e práticas de inclusão, a formação de coordenadores pedagógicos e sua importância para a educação inclusiva, citando relatos.
Brilhar como os vagalumes
A Era dos Vagalumes (Editora da Ulbra, 204 p.), de Cezar Busatto e Jandira Feijó. Qualidade do processo democrático, eficácia da gestão pública e a importância da participação popular são algumas das questões desenvolvidas pelos autores, que também apresentam propostas sobre o papel do Estado e responsabilidade social para fortalecer a democracia. O título da obra nos sugere agir como os vagalumes que, brilhando todos ao mesmo tempo, garantem a sobrevivência da espécie.

Interdisciplinaridade e professores
Interdisciplinaridade na formação de professores – da teoria à prática (Editora da Ulbra, 190 p.). A obra organizada por Ivani Fazenda aborda a interdisciplinaridade e suas funções na Educação: auxiliando na formação de novos saberes, favorecendo novas formas de aproximação da realidade social e contribuindo com novas leituras das dimensões socioculturais das comunidades, além das experiências desenvolvidas em oficinas do 10º Seminário Internacional de Educação (Sieduca), realizado no campus da Ulbra, em Cachoeira do Sul.

Edição em jornalismo
Organizado por Ângela Felippi, Demétrio Soster e Fabiana Piccinin, Edição em Jornalismo – Ensino, teoria e prática (Ed. Unisc, 197 p.) reúne textos de profissionais que, além de jornalistas, são pesquisadores e professores universitários. São eles Antônio Fausto Neto, Beatriz Marocco, Christa Berger, Flávio Porcello, Luciana Mielniczuk, Marcia Amaral, Luciano Klöckner, Marcos Santuário, Thaís Furtado e Paulo Pinheiro, com prefácio de Elias Machado, presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo (SBPJor). Em 12 artigos, os autores analisam o jornalismo que é praticado hoje em jornais, revistas, rádios, tevês, Internet e assessorias de imprensa. O livro é dirigido a professores, pesquisadores, estudantes e profissionais da comunicação.

Caminhadas e Saúde
Caminhando para a vida (Editora Metta Conference, 175 p.), de Héber de Oliveira Morsch, visa a orientar corretamente o desenvolvimento da caminhada como exercício físico, salientando seus benefícios para o bem estar.

 

Universidade na atualidade
Em Universidade para quê? (Libretos, 64 p.), Wrana Panizzi discute a relação entre a sociedade e a universidade e a função desta na atualidade. Ressalta a importância da participação da comunidade acadêmica na discussão para efetivar um projeto de universidade que possa ser legitimado pela mesma. Chama a atenção para o valor do conhecimento e da educação superior como instrumento de poder.

 

Poesia e texto teatral
Verso e inverso da paixão (Editora Proletra/Edição do Autor, 72 p.). Fragmentos do cotidiano e diversidade de sentimentos para explorar novas e inusitadas estruturas poéticas e textos teatrais é a proposta do mais recente livro de Zé Augustho Marques, um dos idealizadores do jornal e do movimento Fala Brasil. Um dos textos, Poema do meio amor, está sendo adaptado para o teatro por Jairo Klein, Renato Del Campão, Ana Medeiros e Andrea Del Puerto.

Diversidade poética
Versos Diversos – Volume III, (Editora Evangraf, 156 p.), organizado por Silvia Benedetti. Reúne versos de autores gaúchos e de outros estados, do Grêmio Literário Castro Alves, caracterizados pelos gêneros poesia livre, soneto, trova e hai-kai.

 

Prospectos de Heidegger
A partir de uma ampla e criteriosa análise dos principais escritos do filósofo alemão Martin Heidegger, o professor da Faculdade de Comunicação da PUCRS, doutor em Ciências Sociais, Francisco Rüdiger, defende uma “atitude crítica” como caminho para fundar a técnica em princípios éticos e políticos humanistas. Em Martin Heidegger e a questão da técnica (Sulina, 247 p.) o autor identifica na obra do filósofo a abordagem da técnica com uma originalidade pouco notada. Contestando as pretensões das várias filosofias da técnica de nosso tempo, o pensador debruçou-se sobre o que chamou, em seu texto mais famoso sobre o assunto, de Questão da Técnica. Rüdiger examina essa distinção sutil, mas muito rica em efeitos, quando se trata não só de tentar entender melhor o que é a técnica, mas de pensar o que nela está em jogo para a humanidade.

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