Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 112 | Ano 12 | Abr 2007
CULTURA

No ritmo de um baile da Reitoria

Por José Weis

Na Porto Alegre dos anos de 1950, uma das “coqueluches” eram os bailes. Pares formados por moçoilas casadoiras nos braços dos candidatos a pé-de-valsa esbaldavam-se ao ritmo de Norberto Baldauf e seu Conjunto. Moçoilas casadoiras, rapazes candidatos a pé-de-valsa, conjuntos melódicos, tudo isso se entrelaça em texto e imagens de Week-End no Rio – Cinco décadas (e meia) do Conjunto Melódico Norberto Baldauf, de Marcello Campos (edição do autor, Porto Alegre 2007). Uma história de sucesso de um grupo musical que foi, e ainda é, um nome importante.

O primeiro baile não se esquece. Aconteceu em um distante maio de 1953. Ressoam os acordes com fino trato e profissionalismo executados por Norberto Baldauf e seu Conjunto. Afinal, literalmente gerações passadas pelo Salão da Reitoria (da Ufrgs) começaram, aprenderam e ensinaram a dançar ao ritmo desse grupo. Uma história que foi muito além de um fim de baile. Correu o Brasil e o mundo, seja pelas ondas das grandes rádios do momento – Farroupilha, Gaúcha e Guaíba – , seja nos sulcos de um long-play daqueles tempos de laquê e lambreta. E, quando não dava para ficar, pelo menos se tirava uma casquinha, como consta das entrelinhas do prefácio de Renato Pereira.

Porém, nem só de clima para alguns amassos vivia o grupo de Baldauf. O conjunto gravou discos, desde os 78rpm aos LPs – foi de um desses muitos discos que saiu o nome do livro. O conjunto melódico criou escolas, surgiram clones, covers e afins.

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Foto: Acervo Victor Canella/ Reprodução

Foto: Acervo Victor Canella/ Reprodução

Também houve momentos em que o grupo dividia o palco com nomes que, no futuro, fariam a história da própria Música Popular Brasileira. Para se ter uma idéia, à época em que João Gilberto passou uma temporada em Porto Alegre, fez algumas das suas e, de lambuja, ganhou um violão de Raul Lima, o homem da guitarra do conjunto.

Outra que também teve seu momento ao lado do Baldauf e Cia. foi ninguém menos do que a então jovem Elis Regina durante uma breve excursão, nos idos de 1960.

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Foto: Acervo Jornal Última Hora/ZH/Reprodução

Foto: Acervo Jornal Última Hora/ZH/Reprodução

Ao longo das 131 páginas do livro ricamente ilustrado, fica bem demonstrado o quanto Norberto Baldauf e seu Conjunto souberam lançar mão de todas as mídias da sua é poca – discos, rádio, revistas e a televisão para levar adiante seu renomado e justificado talento.

PESQUISA – Um trabalho que é o resultado de quatro anos de pesquisa do jornalista, publicitário e diplomado pelo Instituto de Artes da Ufrgs, Marcello Campos. “Em 2001, prestes a me formar em Jornalismo pela Famecos/PUCRS, tive que escolher um assunto para a disciplina de Estágio em Reportagem Especial. Como sou interessado por música e pelo passado sociocultural de Porto Alegre, resolvi combinar esses dois prazeres, escrevendo sobre o Conjunto Melódico Norberto Baldauf, do qual sempre ouvia falar, mas pouco sabia”, detalha o autor.

O texto é agradável e em um clima que recupera uma parte da história da cidade e do Estado, onde muita gente boa um dia – ou uma noite – dançou e
sonhou juntinho.

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