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Nº 141 | Ano 15 | Mar 2010
JOSÉ ALONSO

A percepção do desempenho dos municípios gaúchos em 2007

economia

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O exemplo do que já ocorre com a União e com os estados, o anúncio anual dos resultados econômicos alcançados no exercício já virou rotina também para os municípios brasileiros. Só que no caso desses últimos, a informação mais atualizada tem uma defasagem de dois anos. Nesse sentido, em dezembro de 2009 foram anunciados, pela FEE/IBGE, os dados relativos a 2007. Trata-se de uma informação que é aguardada com muita expectativa pelos agentes econômicos, classe política, analistas e meios de comunicação em geral.

Um aspecto importante a ser analisado é a percepção das comunidades locais quando tomam conhecimento da nova informação. As reações são as mais variadas, situando-se entre a euforia e a frustração, o que leva algumas pessoas a atribuir um significado maior de que a informação realmente tem, ou suscita questionamentos sobre a veracidade dos indicadores, sugerindo que os mesmos possam estar subdimensionados.

Uma análise mais criteriosa sobre os dados analisados sugere que sejam considerados alguns aspectos importantes que envolvem esses indicadores.

A informação divulgada nessa semana (ZH, 17.12.09, p. 19) mostra o desempenho dos municípios em 2007 comparado a 2006. Esse é um dado importante, mas não expressa, em toda a sua dimensão, a dinâmica local. É necessário, portanto, examinar uma série de, no mínimo, cinco anos ou mais para se ter uma ideia mais consistente de cada economia local.

Outro aspecto a ser considerado é que a agropecuária tem um peso importante na formação do produto total, estando sujeita às adversidades climáticas, às restrições impostas pelo câmbio apreciado e pelos preços internacionais. Esses fatores provocam flutuações anuais no desempenho das culturas básicas do RS (arroz, milho, soja, trigo, fumo, leite e carnes).

O efeito dessas flutuações acaba por deslocar, para cima ou para baixo, os municípios no ranking estadual.

O desempenho da agropecuária gaúcha em 2007 foi de 18,2%, uma marca elevada mesmo considerando o fraco desempenho do setor em 2006. Houve expansão das principais culturas como milho, soja e trigo, exceto o arroz, que contraiu a produção física em 6,5%.

Aqueles municípios que têm sua base econômica com participação significativa do arroz cresceram, em sua grande maioria, menos do que a média do estado (7%).

Como consequência, perderam algumas posições no ranking do PIB estadual. Isso não é uma tragédia, foi apenas uma flutuação de curto prazo que poderá ser revertida na próxima safra.

Todavia, se essa queda persistir por cinco ou mais anos, significa que é necessário avaliar com profundidade as causas desse fenômeno.

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