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Nº 160 | Ano 17 | Dez 2011
ELISA LUCINDA

As mulheres gordas tomadas banho

Lucinda

Ilustração: Ricardo Machado

Ilustração: Ricardo Machado

Ai, as mulheres gordas tomadas banho… conheci algumas:
Julieta, Maria Sobrinha, Neli, Nete e as que agora não me recordo mas amo. Amo seu pé de cabelo feito a gilete e rigor no pescoço entalcoado de fim de tarde. Banho, desmaios.
Meu deus, como as amo. As mulheres gordas tomadas banho…
Almofadas lipídicas onde escorregam e caçoam os filhos e minhas lembranças…
Ariene, Alzira, Aureniva passeiam na gordura sacolejante de minha memória.
As mulheres gordas tomadas banho sentadas nas calçadas dos crepúsculos, cadeiras coladas ali para passar a limpo a vizinhança crua. Ai, a histeria gargalhante delas.
Gargalham inteiras. Os peitos e os quadris. As pernas dada a excessividade das coxas que não podem fechar-se inteiramente deixam sempre aquela pirâmide invertida aquele triângulo pungente de ponta pra baixo no meio das tardes.
E gargalham. Ecoam como sinos. São sempre alegres.
Escandalosamente alegres com seus vestidos estampadões deslizados nos vales das dobras como tobogãs.
Almofadas edipianas…
Ó minhas exageradas gabirobas, deixai que eu me sente uma só vez em vosso colo para que eu aprenda qual o jeito de ser feliz assim…
Ó minhas meninas crescidas tomadas banho, bolas de universo. Meu gude que apanhei pra mim. Redondas… Ai, gargalhai por mim, hóstias de mim!

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