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Nº 172 | Ano 18 | Abr 2013
ECARTA
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Cultura doadora na sala de aula

Fundação oferece download de conteúdo pedagógico para professores a partir de abril
Por José Weis
Foto: Divulgação

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Workshop Cultura Doadora, realizado em dezembro

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O projeto Cultura Doadora, da Fundação Ecarta, realiza neste mês três eventos com o objetivo de subsidiar os professores para a abordagem do tema doação de órgãos e tecidos na sala de aula. Todos com entrada franca. Inscrições e informações pelo telefone 51.4009.2971.

MATERIAIS PEDAGÓGICOS – No dia 4 de abril, às 19h, na sede da Fundação em Porto Alegre (Avenida João Pessoa, 943), serão apresentados os materiais e propostas de abordagem temática na educação básica. Este material será também disponibilizado no site da Fundação Ecarta.

A pedagoga, especialista em Psicopedagogia e atriz Márcia do Canto elaborou uma abordagem para alunos da educação infantil e anos iniciais. Envolve atividades ligadas a questões que normalmente já fazem parte dos tópicos tratados em sala de aula, porém enfatizando a cultura doadora. “Vamos trabalhar, de forma mais ampla e lúdica, a doação e seus alicerces, que são a generosidade e a ética”, explica Márcia. “Somos seres de cultura. Aprendemos e modificamos nossos hábitos de acordo com as necessidades sociais, econômicas etc. Há poucos anos, ninguém usava cinto de segurança nos automóveis. Hoje, essa cultura mudou. É assim com a maioria das regras e dos costumes”.

Já o ator, dramaturgo, diretor de teatro e especialista em Psicodrama Artur José Pinto dedicou-se a dinâmicas para o ensino médio. Utilizou técnicas do teatro espontâneo, que considera bastante efetivo para a finalidade. “Funciona melhor porque os alunos criam as soluções sobre como abordar o tema da doação. Por não ser algo imposto, se apropriam do tema e tornam-se protagonistas do processo”, comenta.

PEDAGOGIA – No dia 9 de abril, a Fundação Ecarta e Universidade Santa Cruz do Sul (Unisc) promovem o painel Os professores e a formação de uma cultura doadora de órgãos e tecidos para os alunos do Núcleo de educação básica, do Curso de Pedagogia e demais interessados. O painel será ministrado pelo doutor José Camargo, pioneiro e um dos principais nomes em transplantes da América Latina, às 19h, no auditório central da Universidade.

OFICINA – Nos dias 24 e 25 de abril, das 18h às 21h, a Ecarta realiza em Porto Alegre a oficina Ensaio − Teatro Espontâneo, para professores, ministrada pelo ator e diretor de teatro Artur José Pinto. Será fornecido certificado com carga horária de 6 horas.

Opção equivocada para a industrialização

Voltando um instante no tempo, a primeira Grande Guerra (1914-1918) provocou um colapso, porque não foi mais possível manter aquela política econômica de importação de maquinários que vinham da Europa. Na parte agrícola, a grande compradora do arroz produzido no Rio Grande era a Argentina. Também se vendia para outros estados, mas sempre era de produção primária, charque, banha e feijão, sem nenhum valor agregado.

Uma medida arriscada do presidente do estado, Borges de Medeiros, foi a encampação da companhia francesa, responsável pela construção dos molhes do porto de Rio Grande, que dominava as ferrovias no estado. Para isso, Borges de Medeiros retirou os fundos dos bancos e pegou um empréstimo em dólares, dos Estados Unidos – não pode recorrer aos bancos da Europa, pois esta vivia a grande guerra. Desse modo, o governo do Rio Grande do Sul ficou descapitalizado e seus bancos também. Para piorar a situação, quem determinava os preços de produtos como a carne bovina eram os grandes frigoríficos, todos estrangeiros. O controle era tal que, o frigorífico Armour tinha uma linha férrea que entrava na sua propriedade e ia direto ao porto de Montevidéu. Ou seja, um ganho a menos na exportação. “Era uma situação econômica de bancarrota”, analisa o professor Moacyr.

ARTIGO

O papel dos professores na doação de órgãos e tecidos

Por Clotilde Druck Garcia*

O transplante é a substituição de órgãos e tecidos doentes com objetivo de salvar vidas ou melhorar sua qualidade, como no caso do transplante de córnea. Entretanto, a escassez de órgãos resulta em aumento da mortalidade dos pacientes na fila de espera. Várias estratégias têm sido aplicadas para reduzir esta falta, incluindo uso de doador vivo para rim, fígado e pulmão; utilização de doadores falecidos com critérios expandidos, como idosos, hipertensos etc.

No Brasil, para a efetivação da doação de órgãos é necessário que a família do doador concorde. Se esta pessoa não teve uma educação sobre este assunto, se a pessoa falecida nunca manifestou sua opinião a respeito de ser um doador, numa hora tão difícil, torna a resposta negativa bem provável. Com isto muitas pessoas deixam de ganhar uma nova chance de vida. A população necessita saber o que é morte encefálica, como é a distribuição dos órgãos, que o comércio é proibido, que todas as religiões apoiam a doação, que o corpo do doador não fica mutilado, e muitas outras dúvidas que devem ser dirimidas. Sabe-se que a educação pública sobre doação pode contribuir para reduzir a escassez de órgãos, esclarecendo todas estas dúvidas.

O transplante é a única área do atendimento médico que não pode existir sem participação da sociedade. Portanto, a sociedade civil necessita pensar que deve contribuir para salvar vidas. As três peças fundamentais para uma sociedade civil incluem um sistema de valor, comunicação eficaz e empatia. O desenvolvimento desses componentes é impulsionado por um sistema educacional da sociedade, que incute capacidade intelectual, o raciocínio moral e o pensamento crítico. É fundamental o desenvolvimento de responsabilidade cívica com atividades que beneficiem o “bem comum” como a doação de órgãos e transplante (DOT).

Como os professores são responsáveis pelo currículo do ensino, eles devem estar envolvidos nos programas que abordam DOT. Os professores necessitam deste conhecimento para apresentar informações a seus alunos e devem estar cientes de que material sobre DOT pode ser usado como um trampolim para abordar princípios complexos, tais como ética, moral e altruísmo. A educação sobre DOT deve visar crianças e adultos jovens, pois possuem pensamentos livres de preconceito e facilmente aprendem novos conceitos. Assim, os alunos poderão discutir os conceitos aprendidos na escola com sua família, criando uma população mais informada.

Doar órgãos é compartilhar. É salvar a vida de outros, para que outros salvem a vida dos nossos. Aprenda, ensine e diga com convicção: Eu salvo vidas, sou um doador!

*Professora doutora de Nefrologia da UFCSPA

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