Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 173 | Ano 18 | Mai 2013
WEISSHEIMER
MARCO WEISSHEIMER

Já comeu o seu transgênico hoje?

Por Marco Weissheimer

Aguerra contra os transgênicos parece estar sendo definitivamente perdida no Brasil. A cada mês novas variedades de transgênicos são liberadas e a área plantada com organismos geneticamente modificadas não para de crescer. No dia 8 de fevereiro, a BBC Brasil publicou uma nota que não teve grande repercussão na imprensa brasileira: pela primeira vez, transgênicos ocupam mais da metade da área plantada no país. Segundo a empresa de consultoria Céleres, especializada em agronegócio, o total da área plantada com cultivos geneticamente modificados no país chegará este ano a 37,1 milhões de hectares, um aumento de 14% em relação ao ano anterior (que já registrara um aumento de mais de 21% em relação à safra de 2010/2011). Isso representa 4,6 milhões de novos hectares dedicados a variedades transgênicas.

A nota da BBC comparou esse número com as previsões do IBGE para a safra deste ano: uma área recorde de 67,7 milhões de hectares. “Cruzando o dado do IBGE com o da consultoria Céleres, chega-se à conclusão de que os transgênicos responderão por 54,8% de toda a área cultivada na safra 2012/2013 no país. No ano passado, as lavouras transgênicas cobriram 31,8 milhões de hectares (segundo a Céleres) e a safra total (incluindo transgênicos e não transgênicos) atingiu 63,7 milhões de hectares (segundo o IBGE), ou seja, as lavouras não transgênicas ainda ocupavam uma área maior que as transgênicas”, assinalou a BBC. Há cinco anos, segundo a mesma Céleres, o cultivo total com transgênicos no país era de apenas 1,2 milhão de hectares.

CTNBio rejeita pesquisa francesa

No dia 18 de abril, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) decidiu, por 14 votos contra quatro, confirmar a liberação do milho geneticamente modificado NK 603, realizada em 2008. A votação fundamentou a resposta da presidência da comissão, encaminhada ao Ministério das Relações Exteriores, que solicitou um posicionamento da CTNBio sobre o assunto, em outubro, após a divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelo professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França. O pesquisador francês relacionou o consumo do cereal transgênico da empresa Monsanto a casos de câncer em ratos. O parecer elaborado por quatro pesquisadores da CTNBio e assinado pelo presidente da comissão, Flavio Finardi, questionou os métodos utilizados na pesquisa. A CTNBio também decidiu rejeitar o pedido feito pelo Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor, de reavaliação do milho NK 603 e a suspensão da liberação comercial dessa variedade e dos demais derivados com a mesma tecnologia em sua formulação.

Foto: Ricardo Machado

Ricardo Machado

Ricardo Machado

Troca-troca transgênico

O Rio Grande do Sul também já deu sua contribuição, em 2013, para aumentar a presença transgênica em nossa agricultura. No dia 23 de abril, o Conselho Administrativo do Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Empreendimentos Rurais (Feaper) aprovou, sob protesto de entidades ambientalistas, a reintrodução das sementes transgênicas no Programa Troca-Troca de Sementes de Milho para a próxima safra 2013/2014. Segundo Ivar Pavan, secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo e presidente do Conselho do Feaper, a medida atendeu reivindicação do Grito da Terra 2013 e de “um amplo conjunto de agricultores ligados à Fetag e à Fecoagro, que buscam sementes com tecnologias voltadas para a resistência à lagarta do cartucho, praga que compromete boa parte da produção do milho no estado”.

O papel do Correio do Povo

Outro aliado-chave do golpe foi o jornal Correio do Povo, na época pertencente ao grupo Caldas Junior, que assumiu uma postura crítica violenta contra João Goulart, chamando-o de “agitador, violador da democracia, demagogo e de querer instaurar um ‘neoperonocastrismo’ no Brasil”. Mais tarde, o jornal Zero Hora viria a se somar ao braço midiático pró-golpe, ocupando o lugar da Última Hora, fechado pela ditadura por apoiar João Goulart.

No dia 15 de fevereiro deste ano, a EGR já assumiu a gestão dos pedágios comunitários de Portão, Coxilha e Campo Bom, que administram 220 quilômetros de malha viária no Estado. Ao assumir essas primeiras praças de pedágio, o presidente da EGR, Luiz Carlos Bertotto, defendeu o modelo dos pedágios comunitários, destacando que eles foram os únicos que investiram recursos para duplicar rodovias e seguem investindo, como no trecho entre Taquara e Rolante. Até maio deste ano, a EGR deverá assumir a gestão das 11 praças de pedágios que estavam nas mãos da iniciativa privada.

A atuação de Dom Vicente Scherer

A Igreja Católica também desempenhou um papel ativo durante todo o processo de construção do golpe, principalmente através do então arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer, que, por meio de missas, artigos de jornal e do seu programa de rádio A voz do pastor, associava as reformas sociais propostas por Jango ao “avanço do comunismo materialista e ateu, contrário à tradição católica e cristão do pacífico povo brasileiro”.

Esses são alguns episódios e protagonistas de um período que pisoteou a democracia e os direitos humanos e cuja história ainda está para ser contada como deve para que as atuais e futuras gerações possam olhar para o presente com a consciência de como ele foi forjado.

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