Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 176 | Ano 18 | Ago 2013
ENSINO PRIVADO
PARALISAÇÃO NACIONAL

Ensino privado parou no Dia de Lutas

Em Porto Alegre, professores, funcionários e estudantes fizeram caminhada

Igor Sperotto

Em Porto Alegre, professores, funcionários e estudantes fizeram caminhada

Igor Sperotto

No dia 11 de julho, Dia Nacional de Lutas, o ensino privado gaúcho parou. Professores das principais instituições de ensino decidiram coletivamente ou mesmo individualmente aderir à manifestação. Em Porto Alegre, docentes e funcionários de instituições, como Anchieta, Assunção e Monteiro Lobato, decidiram em reunião ou assembleia aderir à paralisação. “Decidimos participar da manifestação pedindo uma educação de qualidade para todos os brasileiros”, expõe Daniela Rodrigues Ribas, professora do Anchieta e diretora do Centro de Professores da instituição. Também nas cidades do interior do estado, os professores se organizaram para participar do Dia Nacional de Lutas.

“Foi a maior adesão de trabalhadores dos últimos 30 anos no RS”, afirma Amarildo Cenci, diretor do Sinpro/RS. Para ele, cresce cada vez mais a consciência da categoria sobre a importância de mais investimentos na educação pública, não só para melhorar a qualidade de ensino, como também trazer reflexos positivos no setor privado.

A manifestação foi convocada pelo Sinpro/RS, acompanhando a decisão da CUT/RS e demais centrais sindicais, UNE e os movimentos sociais organizados, para a apresentação da pauta de reivindicações dos trabalhadores brasileiros: 10% do PIB, com destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação; 10% do PIB para a saúde; reforma política; reforma urbana; democratização dos meios de comunicação; redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários; valorização das aposentadorias; transporte público de qualidade; fim do fator previdenciário; reforma agrária; mudanças nos leilões de petróleo; contra o PL 4.330, que ameaça direitos trabalhistas com a terceirização. Os principais pontos desta pauta já haviam sido levados para Brasília na marcha do dia 6 março deste ano, que reuniu 60 mil trabalhadores.

Em Porto Alegre, um grande número de professores, estudantes e demais trabalhadores do setor da educação se concentraram na Rótula do Papa seguindo em caminhada para o Ato Público realizado às 16h, no Largo Glênio Peres, no Centro da capital. Houve também intensa mobilização nas cidades de Lajeado, Pelotas, Passo Fundo, Rio Grande, Santa Maria, Santa Rosa, Erechim, Vale dos Sinos, Vale do Rio Pardo, Caxias do Sul, Ijuí e Três Passos.

Mais força ao movimento dos trabalhadores

Participação dos trabalhadores da rede privada foi significativa

Igor Sperotto

Participação dos trabalhadores da
rede privada foi significativa

Igor Sperotto

Um dia depois do Dia Nacional de Lutas, a CUT e outras sete centrais sindicais se reuniram em São Paulo para avaliar a mobilização do dia 11 de julho e definir os próximos passos. Foi consenso entre todos os sindicalistas que as manifestações do dia 11 foram um sucesso, com mobilizações nos 27 estados do país e em centenas de cidades do interior, o que contribuiu para reafirmar e dar mais visibilidade à pauta da classe trabalhadora. Além disso, os atos deram ao movimento sindical mais condições de negociar com o governo e o Congresso Nacional, onde todos os projetos de interesse dos trabalhadores são engavetados.

Segundo os sindicalistas, a entrada da classe trabalhadora, de forma organizada, na luta por melhores condições de vida, deu ao movimento sindical mais condições de pressionar o parlamento e o governo e conquistar itens da pauta de reivindicações entregue em março. “Ficou claro para o Congresso Nacional e para o governo que é preciso atender à nossa pauta”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, que falou sobre o poder que a unidade das centrais representa e sobre o calendário de mobilizações definido e aprovado na reunião dos sindicalistas.

“As centrais sindicais têm unidade na defesa da classe trabalhadora. E pela conquista dos itens da pauta de reivindicações que entregamos para o governo e para o Congresso, vamos até o fim”, concluiu o dirigente.

Atos de protesto nas federações patronais

No dia 6 de agosto serão realizados atos contra a terceirização nas portas das federações patronais em todas as capitais do Brasil e também nas confederações de empresários (CNI, CNC), em Brasília. O objetivo é pressionar os empresários a retirar da pauta da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4.330, que amplia a terceirização da mão de obra, precarizando ainda mais as relações e as condições de trabalho.

Os atos foram marcados para este dia porque, no dia 5, terminam as negociações da Mesa Quadripartite, que reúne trabalhadores, empresários, governo e deputados federais, que está discutindo alterações no texto do PL da terceirização. Na mesa, a bancada dos trabalhadores está tentando alterar o texto para proteger os direitos dos trabalhadores, mas há muita resistência da bancada patronal. Caso governo e Congresso não atendam às reivindicações ou abram um processo de negociação, os trabalhadores voltarão às ruas com nova paralisação nacional no dia 30 de agosto. (Leia também a página 7).

*Com informações da CUT nacional e CUT/RS

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