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Nº 187 | Ano 19 | Set 2014
ECARTA
CONVERSA DE PROFESSOR

O que fazer com o aluno com déficit de atenção

Por Vânia Melchionna Franke *
O que fazer com o aluno com déficit de atenção

Foto: Glaci Borges

Tema integra o programa Conversa de Professor

Foto: Glaci Borges

O transtorno de déficit de atenção (TDAH) que afeta crianças, adolescentes e adul­tos é sem dúvida uma patologia típica do mundo moderno, veloz e cheio de infor­mações, por isso tem grande incidência (de 3% a 5% das crianças em idade escolar). É um transtorno do desenvolvimento do autocontrole, caracterizado por oscilação de atenção (da dispersão à superconcentra­ção), impulsividade e hiperatividade. Em geral são crianças agitadas, com muita sensibilidade, que as leva a apresentar reações fortes e impulsivas, baixa tolerân­cia à frustração e sentimentos de baixa autoestima e de inadequação. Em sala de aula, exige do professor um atendimento diferenciado. Precisam de maior flexibilidade, de estímulo constante para vencer difi­culdades inerentes à aprendizagem, muita paciência e dedicação. Muitas vezes exercem sobre o grupo forte liderança nem sempre orientada para os objetivos de aprendizagem.

A solução do problema é bastante complexa, por­tanto não é responsabilidade do professor ou da escola. É a escola que frequentemente identifica o problema e solicita à família as avaliações e providências neces­sárias para a confirmação do diagnóstico e tratamento. TDAH necessita ser atendido por neurologista, psicó­logo, psicopedagogo, fonoaudiólogo. Por vezes, é reco­mendado o uso de medicação. Os pais e a escola pre­cisam trabalhar em conjunto para que o aluno TDAH possa superar suas dificuldades de aprendizagem.

No processo de aprendizagem é de fundamen­tal importância o vínculo afetivo que se estabele­ce entre o aluno e o professor. Freud nos diz que aprendemos não por interesse em saber ou em sermos bem-sucedidos profissionalmente, mas por amor a nossos pais e professores, para que estes nos considerem dignos de estima. Assim, o amor é a fer­ramenta mais importante para o convívio com uma criança ou adolescente com TDAH. O professor precisa exercitar a paciência, a capacidade de com­preensão, achar o equilíbrio entre flexibilidade e fir­meza e não desistir de seu aluno TDAH.

Adaptações curriculares, atividades que sejam prazerosas e de curta duração, diminuição de estímu­los simultâneos, jogos pedagógicos que auxiliem na compreensão de regras e que exercitem a aceitação de erros, estímulo à expressão artística (pintura, de­senho, música) e à prática de esportes de grupo são estratégias valiosas para facilitar o convívio em sala de aula e o rendimento escolar destes alunos. Ver o alu­no TDAH como uma criança com grande potencial auxilia o professor a valorizar seus aspectos positivos: a criatividade, o entusiasmo, a iniciativa.

Procurar conhecer o aluno e comunicar-se com ele, compreender as particularidades do transtor­no, apoiar os pais para que enfrentem o problema e procurem ajuda profissional é indispensável. Evitar rótulos depreciativos, procurando orientar e estimu­lar o aluno a superar suas limitações de organização e de autocontrole, auxiliando os demais alunos no convívio com o colega TDAH é o desafio que este aluno traz para o educador e para toda a escola, pois favorecer sua aprendizagem não é tarefa para ser executada pelo professor, de forma isolada, em sala de aula.

Com sua dificuldade em acomodar-se, o portador de TDAH nos convida a crescer, a criar, a sairmos de nossa zona de conforto, a aprimorar nossos conheci­mentos pedagógicos, a ampliar nossas ferramentas pessoais de relacionamento, a desenvolver o respeito às diferenças e a confiança no potencial de cada ser humano em desenvolver suas potencialidades. E o en­frentamento e superação deste desafio podem ser ex­tremamente gratificantes para o educador.

*Graduada em Psicologia, especialista em Psicologia Social. Psicoterapeuta de crianças, adolescentes, adultos, casais e família. Integra a equipe do programa Conversa de Professor da Fundação Ecarta. www.ecarta.org.br/conversa

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