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Nº 192| Ano 20 | Abr 2015
FRAGA
COLUNISTA

Corrupção para todos

Por Fraga

Já tá mais que provado: é o mercado não regulado da corrupção que gera violência, crimes, marginalização e mais e mais corrupção. Para acabar com a corrupção brasileira, bastaria tirar a corrupção da ilegalidade.

Óbvio: é na ilegalidade que está a força da corrupção. Por ser ilegal, não há como estabelecer regras para normatizar as ações corruptas, definir padrões confiáveis por baixo do pano e níveis ideais de suborno. Do jeito que tá, impera a bagunça, tudo descamba para a desordem na corrupção, como se não chegasse a desordem fora dela.

Como fazer? Baita desafio, mas o próprio crime organizado, esse soberano nacional, poderia ser um aliado para nos orientar com sua inestimável experiência na legalização da corrupção.

O verdadeiro problema não são as desculpas esfarrapadas. São as que vestem Armani.

Ilustração: Sica

O verdadeiro problema não são as desculpas esfarrapadas. São as que vestem Armani.

Ilustração: Sica

É uma proposta audaciosa, e deve enfrentar resistência justamente no poderoso corporativismo dos parlamentares. A maioria deles iria votar contra, claro, mas a massa pode ir às ruas e apelar por mais esse direito – a igualdade para corromper o país. Uma manifestação tão ampla que uniria, afinal, a esquerda e a direita, os governistas e a oposição, a classe média e as elites.

Talvez até acabasse com a insana polarização reinante. Pode-se antever inúmeras vantagens na legalização da corrupção. As principais:

* Acabaria com o monopólio dos políticos.
* Permitiria o livre acesso de milhões de novos corruptos. Imaginem a ascensão social, a descoberta de talentos inatos para a comissão por fora.
* Melhor distribuição da propina, já que a de renda nunca deu certo.
* Geração de empregos, com atividade profissionalizante e postos de atendimento da Agência Nacional Corruptora em todos os escalões e setores.
* Captação de impostos, oriundos do imenso potencial corruptível. Haveria mais educação, saúde e segurança às custas dos corruptos e corruptores.

É certo que as empreiteiras reagiriam: a livre concorrência na corrupção iria ameaçar seus privilégios corruptivos. Sejamos justos, porém: a indústria, o comércio, os serviços e o terceiro setor também merecem uma fatia do generoso mercado superfaturado.

Se a corrupção já tivesse sido legalizada, a situação da Petrobras seria outra: o rombo dos seus cofres não seria uma exclusividade de alguns partidos.

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