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Nº 205 | Ano 21 | Jul 2016
INTERVALO

Entre a música na escola e o som das ruas

Por Gazieli Gotardo
Entre a música na escola e o som das ruas

Foto: Igor Sperotto

Heine Wentz: “Ainda existem preconceitos em relação à música como profissão, e eu tento passar que ela é uma boa opção”

Foto: Igor Sperotto

Inicialmente, ser professor não estava nos planos do musicista Heine Wentz, mas foi um desafio que apareceu em sua vida um ano antes de terminar a faculdade de Música, da Ufrgs, e já faz parte da rotina há 17 anos. Além de ensinar, ele também busca passar aos alunos o que a música representa socialmente.

“Ainda existem preconceitos em relação à música como profissão, e eu tento passar que ela é uma boa opção. Acredito na música e apoio quem quiser seguir esse caminho”, afirma. Heine, que também toca e ensina bandolim, leciona para quase todas as idades, iniciando com crianças de sete anos até seu estudante mais velho, de 65 anos. Ele destaca que procura entender o significado da música na vida de cada um. “Sei que é clichê, mas aprendo muito com meus alunos, pois aprender e ensinar é inerente”, exalta.

Nascido em Salvador do Sul, aos 13 anos começou a viajar para estudar violino na Fundação Municipal de Artes – Fundarte, de Montenegro, local onde passou toda sua adolescência mergulhado em um ambiente de arte. A escolha pela faculdade de Música foi natural, e hoje ele ensina violino no Colégio Pastor Dohms, em Porto Alegre, e na Fundarte, além de ser integrante da banda BlueGrass Porto-Alegrense, conhecida pelas apresentações de rua em locais de grande circulação, na capital gaúcha.

Com formação musical erudita, Heine sempre buscou inserir o violino nos estilos mais populares, que também gosta de ouvir. Já participou de diversos grupos como Kid Cegonha & Crazy Country Band; Orquestra de Câmara Sesi/Fundarte, e Orquestra de Mantras Rudráksha. Desde 2006, faz parte da banda BlueGrass Porto-Alegrense, que toca o estilo de mesmo nome, com origem norte-americana, influenciado pela cultura de imigrantes escoceses, irlandeses e afro-americanos.

Além de Heine (violino e voz), a BlueGrass é formada por Marcio Petracco (bandolin e voz), Ricardo Sabadini (violão e voz) e Pedro Marini (contrabaixo e voz). As apresentações são essencialmente acústicas, com apenas um microfone para todo o grupo. Outra característica da banda é se apresentar nas ruas de Porto Alegre. Com frequência, eles podem ser vistos e ouvidos na Rua da Praia e no Brique da Redenção.

O gosto por tocar nas ruas surgiu quase que espontaneamente no grupo, que gosta da liberdade oferecida pelo espaço público, mas também faz shows contratados em eventos e participa de festivais. “Ao tocar na rua, a gente dá a cara a tapa para um público diferente. Tenho observado um crescimento dos artistas de ruas em Porto Alegre nos últimos anos”, afirma Heine. Com dois CDs lançados e uma vendagem expressiva, que já ultrapassa 30 mil CDs vendidos de forma totalmente independente, a BlueGrass foca em músicas tradicionais do estilo, mas também possui composições próprias.

A seção Intervalo se propõe a revelar o perfil humano dos professores ao relatar experiências de educadores que desenvolvem atividade diversa da docência, seja de forma profissional ou como passatempo. Envie sua sugestão aos editores: extraclasse@sinprors.org.br.

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