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Nº 206 | Ano 21 | AGO 2016
INTERVALO

Arte como forma de expressão

Por Grazieli Gotardo

Arte como forma de expressão

Fotos: Frederico Sehn/ Divulgação

Fotos: Frederico Sehn/ Divulgação

“Nasci artista, posso largar qualquer coisa na minha vida, menos a arte, que despertou meu interesse antes mesmo de ser alfabetizado. Só queria desenhar e até demorei um pouco mais para aprender a ler.” Assim se define Gilmar Almeida da Silveira, 47 anos, professor de artes e de oficina de teatro do Colégio Marista São Luiz, de Santa Cruz do Sul. Formado em Educação Física, lecionou a disciplina por 15 anos. Uma lesão no joelho, no entanto, o fez largar a educação física e o vôlei e assumir a arte integralmente.

Nascido e criado em Santa Cruz do Sul, veio de uma família de muitos professores, mas o avô, carioca, era ligado ao carnaval quando morava no Rio de Janeiro. Sua vida artística é aliada a muito estudo e dedicação. Não é à toa que se tornou um artista completo, tendo sido selecionado pelo Circo de Soleil para testes, quando representantes da companhia estavam no Brasil. Gilmar canta, dança, atua, toca violão, desenha, cria objetos de arte, já fez circo e oficina de interpretação para TV, escreve e atua em espetáculos de teatro, faz comerciais de tevê e cinema e cria fantasias de carnaval.

Arte como forma de expressão

Fotos: Frederico Sehn/ Divulgação

O professor de artes e oficina teatral Gilmar Silveira também atua na Trupe Viajantes dos Sonhos

Fotos: Frederico Sehn/ Divulgação

Tantos talentos o fazem ter uma visão única da carreira artística, e é no teatro que ele consegue expor tudo isso. “Vejo a arte como um todo, como uma forma de expressão. E no teatro consigo unir tudo que sei fazer”, explica, já que em suas peças escreve, atua e até mesmo as músicas são compostas por ele para cada espetáculo. Atualmente, Gilmar integra a Trupe Viajantes dos Sonhos, de Lajeado, e está em cartaz com o espetáculo Você me amará amanhã, que faz uma reflexão a partir das letras das músicas da cantora Amy Winehouse. E está preparando-se para mais um carnaval. Sua criatividade já fez parte de muitos carnavais de escolas de samba de sua cidade natal. Em 2017, será uma escola de Rio Pardo que contará com suas criações, que vão desde fantasias até carros alegóricos. “Carnaval é bom, pois é uma arte que dialoga direto com o povo”, observa.

Quando o assunto é arte como disciplina do currículo escolar, Gilmar carrega toda sua transversalidade artística para a sala de aula, mesclando aulas práticas e teóricas. Para ele, a arte serve para ajudar o aluno a pensar o mundo e ler a sociedade. “Acredito que todo o conteúdo da escola está na vida do aluno mais do que ele imagina e procuro fazer esse link com a vida real para que ele tenha uma visão crítica da arte, que saiba refletir por que a arte se manifesta daquela forma em cada período histórico.” Para ele, lecionar arte é contextualizar. “Mais do que saber que na Idade Média se pintavam autorretratos, quero que os alunos saibam por que isso ocorria, de acordo com o contexto da época”, inquieta-se, acrescentando que também acompanha fenômenos contemporâneos da indústria cultural que arrebatam os jovens, a exemplo da saga Crepúsculo e Game of Thrones.

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