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Nº 217 | Ano 22 | SET 2017
INTERVALO

Razão e sensibilidade

Por César Fraga

Professora Judite Valenti Giacomello, de Bento Gonçalves, 58 anos, 33 anos de magistério nas redes municipal e privada. Já está aposentada pela rede pública, mas segue atuando no Colégio Marista Aparecida, há 29 anos em sala de aula, como professora de Artes do sexto ano ao primeiro ano do ensino médio.

Foto: Acervo Pessoal

A professora considera a não obrigatoriedade da educação básica dos currículos um retrocesso

Foto: Acervo Pessoal

Ela trabalha vários tipos de expressão artística com os alunos, do teatro e música às artes plásticas. Mas é com essa última que Judite ocupa boa parte seu tempo quando não está lecionando. Ela se dedica à pintura, atividade com a qual participa de mostras e exposições na região e até mesmo em outros estados. Despretensiosa, direciona as pinturas em tela geralmente para amigos e parentes, mas também surgem encomendas de pessoas interessadas fora desse círculo.

“É mais pelo prazer de estar fazendo alguma coisa que eu gosto e é com o pincel que me expresso melhor. Volta e meia participo de exposições coletivas articuladas pelo ateliê em que sigo meus estudos de pintura: em espaços públicos da cidade, hall de hotéis  e eventos como a Fenavinho ”, explica.  “Recentemente fizemos uma exposição de pintura em barris com vários artistas, cujo tema era imigração italiana. Essas obras chegaram a ser exibidas em várias cidades da região. No momento estou trabalhando numa outra proposta que é pintura em folhas de parreira e esculturas para homenagear a Fenavinho. A exposição será em setembro em frente à Prefeitura ”, relata.

Recentemente, afastou-se temporariamente do teatro por problemas de voz agravados com o desgaste causado pela rotina do magistério em sala de aula, mas não deixa de trabalhar essa forma de expressão com os alunos.

“Com os alunos trabalho bastante releituras de obras de artistas conhecidos, como Salvador Dali, por exemplo, em que o aluno dá sua visão daquela obra e faz o seu próprio quadro ou desenho”.

Para a professora, a não obrigatoriedade das artes nos currículos representa “um grande retrocesso para a educação e poderemos ter uma geração de analfabetos artísticos”, pois a sensibilidade artística ajuda os jovens a interpretar o mundo e, muitas vezes, desperta o interesse  deles para as artes e para atividades que envolvem criatividade.

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