Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 222 | Ano 23 | ABR 2018
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Luciano Andreatta Carvalho da Costa*

Em tempos de desvalorização das funções públicas, em que se demoniza o Estado e se idealiza o Mercado, torna-se fundamental reafirmarmos a importância das nossas instituições. Parte da sociedade aceita esse discurso, e, ao mesmo tempo, permite que surjam lideranças com valores humanos questionáveis e com pouco ou nenhum compromisso ético, e cujo interesse público sequer é levado em conta.

Naomi Klein, jornalista canadense, denuncia os interesses e os aspectos envolvidos na eleição de Donald Trump, nos EUA. Ele não tem nenhum constrangimento em continuar suas atividades empresariais, mesmo ocupando o cargo de presidente, o que configura um claro conflito de interesses. E esta parte da sociedade, que aponta o dedo sem dó para o serviço público, não se indigna com esse fato e com uma série de outros relacionados com a eleição e o exercício do mandato de Trump.

No Brasil não é diferente, pois estamos permitindo a ascensão de lideranças com discursos semelhantes, quando, na verdade, estão atendendo a interesses corporativos e ocultos, os quais se tornam perigosos, principalmente pelo seu caráter dissimulado.

Neste contexto, reafirmamos a força da nossa querida Uergs que, no auge da sua adolescência, já vem colhendo frutos e resistindo a políticas públicas prejudiciais. O governo atual sequer autorizou a realização de concurso público para a universidade e fez apenas contratações pontuais e temporárias para a instituição. Além disso, está comprometido com um regime de ajuste fiscal que exigirá um congelamento dos investimentos por 20 anos, e impôs a extinção de uma série de fundações de pesquisa do estado, algo que ainda não se concretizou, principalmente pela crueldade com que as extinções foram encaminhadas, com um desrespeito total aos servidores.

No caso da Uergs, o mais grave: o não empenho do recurso da ordem de R$ 1 milhão relativo à contrapartida para investimentos federais no Campus Central, que chegam a R$ 13 milhões, oriundos da emenda Paim. Se não ocorrer o empenho em breve, perderemos esses recursos. E o que o governo diz: somos parceiros para encontrarmos uma solução para o Campus Central! Mas a solução já está dada, e parceria significa empenhar esta contrapartida.

Fazemos um apelo à sociedade gaúcha para que nos ajude nesta luta pela Uergs, instituição de ensino que mais atende a municípios no Rio Grande do Sul e que é parceira de verdade do nosso estado, e não aceita parcerias de fachada que nada mais são do que transferência de responsabilidade. Se perdermos esses recursos, a responsabilidade é do governo do estado! Força aos professores, aos servidores e aos alunos, em especial aqueles que tiveram que ocupar a Reitoria em março para buscar soluções para a falta de professores!

*Professor, doutor em Engenharia e presidente da Associação de Docentes da Uergs

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