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12/04/2016
EDUCAÇÃO
POLÍTICA

“Este não será o país do ódio”, diz Dilma

Durante o Encontro da Educação Pela Democracia, no Palácio do Planalto, em Brasília a presidente da República recebe manifestos de apoio
da Redação
“Este não será o país do ódio”, diz Dilma

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Presidenta Dilma Rousseff com a estudante Suzane da Sillva, durante encontro da Educação pela Democracia, em Brasília.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“Nas redes sociais grupos racistas e de direita que defendem o impeachment, perguntam se eu consigo entrar num hospital com esse cabelo (estilo black power). Minha resposta é a seguinte: não apenas entro no hospital, como entro também no avião e no Palácio do Planalto. Mas infelizmente, eu estou entre os 2,5% de estudantes negros de medicina num país em que 58,4% da população carcerária é negra.” Com essa fala, a estudante de medicina da Faculdade Santa Marcelina pelo ProUni, Suzane da Silva, foi a grande sensação do encontro da Educação pela Democracia, no salão nobre do Palácio do Planalto, em Brasília, que iniciou no final da manhã desta terça-feira, 12 de abril, e encerrou no início da tarde. Suzane havia sido hostilizada nas redes sociais por ter postado foto em seu perfil segurando um cartaz com os dizeres “A casa grande surta quando a senzala vira médica”.

O depoimento da estudante emocionou a presidente Dilma Roussef, que saudou a estudante em seu discurso. “Este não será o país do ódio e o ódio não pode ser a forma de fazer política no Brasil”. Ela também criticou o suposto vazamento do áudio em que o vice Michel Temer discursou como presidente. “Ontem utilizaram a farsa do vazamento para difundir a ordem unida da conspiração. Agora conspiram abertamente à luz do dia para desestabilizar uma presidente legitimamente eleita. Ontem, ficou claro que existem, sim, dois chefes do golpe que agem em conjunto e de forma premeditada. Ontem fiquei chocada com a desfaçatez da farsa do vazamento. Vazando para eles mesmos. Se ainda havia alguma dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há mais. Há um golpe de estado em andamento (…)  Como acreditar num pacto de salvação ou de unidade nacional, sem sequer uma gota de legitimidade democratica? Com farsas, fraudes e sem legitimidade ninguém pacifica, ninguém concilia, ninguém constrói unidade para superação de crises. Só as agrava e aprofunda”, destacou.

O ato em defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff reuniu um grande número de professores, pesquisadores, cientistas, técnicos-administrativos e estudantes e contou com a presença dos ministros da Educação, Aloísio Mercadante e da Ciência Tecnologia e inovação, Celso Pansera.

O ministro da Educação, Aloízio Mercadante, depois de destacar em seu discurso que 52% dos estudantes do Fies e do ProUni, hoje são negros enfatizou que o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff é um golpe que pode prejudicar os avanços sociais conquistados na redemocratização do País, e lembrou as consequências de outros golpes ocorridos no Brasil. “Todos os governos que começam com golpe terminam com repressão, com censura, com exclusão, com tortura, com medo, e foi assim na história do Brasil em muitos momentos”, disse.

Ele lembrou a trajetória do ex-presidente Getúlio Vargas, que foi assassinado enquanto chefe de Estado, como um exemplo de que o golpe não se valida na história do País. “Onde estão os golpistas na história do Brasil? Na lata do lixo da história. Getúlio está aí. É nome de avenida, de faculdade. Tem partidos que reivindicam a sua herança”.  Mercadante completou dizendo que os golpistas fazem uma grande homenagem à honra da presidenta Dilma por não consegu

irem provar crimes de responsabilidade contra ela. “Não há o que dizer das suas atitudes e da sua biografia ao longo de toda a sua vida pública e pessoal na nossa sociedade”.

Coordenadora Geral da Contee participa de evento no Planalto nesta terça-feira, 12 de abril

Foto: Contee

Coordenadora Geral da Contee participa de evento no Planalto nesta terça-feira, 12 de abril

Foto: Contee

CONTEE – Ao final do evento, representantes das entidades de classe e estudantis dos setores público e privado entregaram seus manifestos de apoio à Presidente da República. Na ocasião, a Coordenadora Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), Madalena Guasco Peixoto, após falar aos presentes, entregou um manifesto à presidente Dilma Roussef.

Leia a íntegra do manifesto:

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee, entidade sindical de terceiro grau que representa cerca de 1 milhão de professores e técnicos administrativos que atuam na educação privada em todo o território nacional, tem, como princípio estatutário, a defesa das instituições democráticas, as liberdades individuais e coletivas, o respeito à justiça social e os direitos fundamentais, individuais e sociais. Por isso, é com muita convicção que a Contee manifesta seu posicionamento em prol do Estado Democrático de Direito e contra qualquer tentativa de golpe que coloque que coloque em risco a democracia e os trabalhadores.

É com determinação também que defendemos o governo legitimamente eleito e reafirmamos a necessidade de um compromisso com esses eleitores, o que significa uma administração voltada para a manutenção e, sobretudo, o avanço das conquistas sociais asseguradas nos últimos anos. E avanço, para nós, implica também um comprometimento com a educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada, bem como com a regulamentação da educação privada, sob as mesmas exigências legais aplicadas à escola pública.

Faça-se necessário destacar o quanto, neste momento difícil vivido pelo Brasil, os processos de mercantilização, financeirização, desnacionalização e de diferentes forma de privatização da educação no país, denunciado há mais de uma década pela Contee por meio da campanha ‘‘Educação não é mercadoria’’, tem servido aos interesses golpistas dos que defendem um processo de impeachment sem qualquer base legal, apenas para defender seus interesses. Educação é um direito de cada pessoa, um dever do Estado e deve ter, entre seus objetivos, a formação de uma sociedade com consciência crítica e cidadã. Portanto, fechar os olhos para sua transformação em reles produto de marcado — prática adotada por empresas que visam somente o lucro e estão pouco ou nada preocupadas com a qualidade do ensino que ofertam ou com a dignidade de seus trabalhadores — é contribuir, lamentavelmente, com os que pregam a eliminação de conquistas sociais que nos são tão caras.

A Contee está nas ruas em defesa da democracia e de todas as vitórias garantidas no setor educacional nos últimos anos, entra as quais a destinação de 75% dos royalties do petróleo e de 50% do Fundo Social do pré-sal para a educação; o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor até 2024; a garantia de elaboração e implementação do Sistema Nacional de Educação. Conquistas tão ameaçadas quanto o Estado Democrático de Direito e na defesa das quais precisamos nos unir.

 

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