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07/08/2017
POLÍTICA

Janot prepara nova denúncia contra Temer

Procurador-geral da República pede investigação do presidente por envolvimento em organização criminosa e obstrução à Justiça
Por Gilson Camargo
Articulação no Jaburu: Temer reuniu presidentes da Câmara e do Senado e ministros no domingo

Foto: Marcos Corrêa/PR

Articulação no Jaburu: Temer reuniu presidentes da Câmara e do Senado e ministros no domingo

Foto: Marcos Corrêa/PR

No mesmo dia em que a Câmara dos Deputados negou a autorização ao Supremo para investigar Michel Temer por corrupção passiva, na quarta-feira, 2 de agosto, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de inclusão do peemedebista entre os investigados em um inquérito já existente contra o “quadrilhão”, designação criada pela Lava Jato para identificar o grupo de 15 deputados do PMDB envolvido em um esquema de corrupção a partir da Câmara dos Deputados. Janot pediu ainda a inclusão de dois ministros de Temer, Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, entre os investigados.

Depois de comprar o arquivamento da denúncia por corrupção passiva na Câmara, por R$ 4,2 bilhões, o presidente em exercício será alvo mais um pedido de investigação formulado pela PGR com base nas investigações da Polícia Federal. Na prática, a votação do dia 2 de agosto decidiu pelo adiamento da investigação para depois do fim do mandato de Temer.

Janot, que deixa o cargo em setembro, e a futura procuradora-geral Raquel Dodge, durante reunião do Conselho Superior do MPF para analisar a proposta de orçamento

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Janot, que deixa o cargo em setembro, e a futura procuradora-geral Raquel Dodge, durante reunião do Conselho Superior do MPF para analisar a proposta de orçamento

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A segunda denúncia a ser encaminhada por Janot vincula o conteúdo das delações da JBS sobre a atuação do presidente à frente do PMDB na Câmara com as investigações que já estão em andamento contra políticos e operadores do grupo envolvido em desvios no Fundo de Investimentos do FGTS, representado pela Caixa Econômica Federal. Entre os investigados estão o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro, o líder do governo no Congresso, André Moura, e o lobista Fernando Baiano. A PGR está negociando as delações do ex-deputado Eduardo Cunha e do operador financeiro Lúcio Funaro, ambos presos pela Lava Jato.

A nova peça de acusação contra Temer a ser apresentada pela força-tarefa da Lava Jato na Procuradoria acusa o presidente de envolvimento com organização criminosa e crime de obstrução da Justiça a partir da gravação de uma conversa com Temer entregue por Joesley Batista, sócio da JBS, aos investigadores. A denúncia explora a narrativa de Joesley sobre a compra do silêncio Eduardo Cunha e de Funaro, supostamente para impedir o ex-deputado de assinar uma delação contra Temer. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo no último sábado, Janot afirmou que novas delações estão sendo negociadas, mas negou-se a confirmar os nomes dos novos delatores, supostamente Cunha e Funaro. “Estamos com colaborações em curso que podem e muito nos auxiliar em uma e outra investigação” … “Não posso dizer quem são. As colaborações são sigilosas. Falamos de ambos porque Cunha e Funaro estão ligados ao diálogo do Jaburu [gravado por Joesley Batista] e são personagens do inquérito do ‘quadrilhão’”, disse o procurador-geral na entrevista.

O amigo de Temer

Lima Filho: destinatário de propinas na campanha de 2014

Foto: Reprodução

Lima Filho: destinatário de propinas na campanha de 2014

Foto: Reprodução

O coronel João Baptista Lima Filho, citado nas delações do empresário Ricardo Saud como o destinatário de bilhões de reais durante a campanha de 2014 “conforme indicação direta e específica de Temer” é outro personagem do “quadrilhão” enquadrado pela Lava Jato. Segundo detalha o empresário na delação à PGR, Lima Filho foi apontado por Temer para receber propina de R$ 1 milhão. O coronel Lima trabalhou como assessor de Temer quando o peemedebista foi secretário de segurança do Rio, em 1985. Comprovantes de pagamentos e recibos de despesas de familiares e também do próprio peemedebista foram apreendidos no escritório do ex-militar, acusado de ser o encarregado de resolver pendências financeiras da família de Temer. O coronel também é investigado pela Lava Jato por fraude em um contrato de R$ 162 milhões de reais. O documento da Junta Comercial de São Paulo foi assinado entre a empresa AF Consult, criada pelo Coronel Lima a partir de sua empresa Argeplan Arquitetura, e a Eletronuclear. O serviço: elaboração de projetos eletromecânicos na usina nuclear de Angra 3, acordo que está paralisado desde 2016 por suspeita de irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União. O Ministério público apontou pagamentos de propina a Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, preso em julho de 2015 e condenado a 43 anos de prisão.

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