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25/01/2018
MOVIMENTO

“Para mim, esse julgamento é uma oportunidade de sair pelo Brasil afora para discutir com o povo o que eu fiz e o que eles estão fazendo”, afirmou ex-presidente
Por Marcelo Menna Barreto, em São Paulo
Manifestação ocupou a Praça da República, com pronunciamentos de lideranças

Foto: Marcelo Menna Barreto

Manifestação ocupou a Praça da República, com pronunciamentos de lideranças

Foto: Marcelo Menna Barreto

Enquanto nas áreas nobres da capital paulista estouravam rojões, carros buzinavam e na mais famosa avenida da cidade poucos mas barulhentos integrantes do MBL e Vem pra Rua soavam vuvuzelas em comemoração pela condenação de Lula em segunda instância, cerca de 50 mil simpatizantes do ex-presidente fizeram uma grande demonstração de força e indignação na Praça da República, ponto destinado pelo governo de São Paulo, que vetou manifestações de grupos antagônicos na avenida Paulista. Praticamente todas as lideranças que se intercalavam nos pronunciamentos prometem radicalização nos próximos dias. “Hoje, quatro rodovias aqui de São Paulo foram bloqueadas com fogo pela Frente Povo sem Medo, disse o Coordenador Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos.

O ato, que começou a reunir militantes dos movimentos sociais desde às 16h encerrou-se por volta de 20h, com uma caminhada rumo à avenida “proibida”. “Não sei se o Alckmin vai querer, não sei se ele vai querer impedir, mas nós vamos sair daqui e vamos pra Paulista”, ironizou Boulos.

Segundo o dirigente do MTST, o dia 24 “foi de uma farsa realizada entre três cidadãos” que condenaram por unanimidade Lula. “Esses três anões morais vão para o lixo da história, enquanto Lula já foi absolvido pela história por tudo o que fez pelo povo brasileiro”, argumentou. Para Boulos houve em Porto Alegre uma passagem de limite. “Sempre que o andar de cima fecha as portas da democracia, eles deixam as ruas como única alternativa”, concluiu ao destacar que a resposta começou a ser dada na véspera do julgamento com a multidão que tomou as ruas da capital gaúcha.

Gilmar Mauro, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), analisa que a condenação foi uma vitória efêmera do que chamou de setores reacionários. “O povo brasileiro aprende com isto, que a nossa esperança não está nessa Justiça, não está nesse Congresso”, disse pontuando que não tem dúvida do que será feito com a sentença proferida contra Lula: “Nós vamos rasgar, porque não representa o povo brasileiro”. Mauro ainda foi mais contundente: “agora é que nós vamos ver quem é militante de verdade”, provocou.

Amorim: “vendo o povo na Praça da República eu tenho a confiança de que no final nós vamos vencer”

Foto: Marcelo Menna Barreto

Amorim: “vendo o povo na Praça da República eu tenho a confiança de que no final nós vamos vencer”

Foto: Marcelo Menna Barreto

Mesmo o diplomático Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores no governo Lula, considerado em 2009 o melhor chanceler do mundo pela The New Foreign Police, referência internacional sobre relações exteriores, não fugiu ao clima. “O capital financeiro internacional é que está por trás disso tudo”, declarou. Amorim afirmou estar triste, apesar de saber que a condenação era previsível, mas ressaltou que “vendo o povo na Praça da República eu tenho a confiança de que no final nós vamos vencer”.

Marianna Dias, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), afirmou que, ao carregar nas costas a história de uma entidade de 80 anos, tem certeza de que o acontecimento não entrará para a história pela condenação de Lula, mas porque haverá resistência. “Hoje condenam, amanhã prendem. E isto nós não vamos deixar. Aqui não é terra de traidores”, avisou.

Lindbergh Farias, líder do PT no Senado, foi mais contundente. “Não podemos mais ter ilusões, nós não vivemos mais numa democracia no Brasil”, afirmou. Para o senador, engana-se quem acha que é pelo caminho institucional que o golpe que diz ter iniciado com o afastamento da presidente Dilma Rousseff será derrotado. “Chega pessoal! Só há um caminho. É ir para as ruas e enfrentar o golpe numa rebelião cidadã”, conclamou.

"Quem já foi condenado é o povo brasileiro", afirmou o ex-presidente

Foto: Mídia Ninja

“Quem já foi condenado é o povo brasileiro”, afirmou o ex-presidente

Foto: Mídia Ninja

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, foi didático: “Direto e objetivo. O que aconteceu sob o nosso ponto de vista foi a ruptura democrática no Brasil e a instituição da ditadura da toga e é por isso que vamos entrar num estado de convulsão social. Nós vamos derrubar isto na rua e deixar claro para esses golpistas que usam togas, não eleitos pelo povo, que eles não têm o direito de tirar o direito do povo votar em quem quiser”. Freitas ainda prometeu, caso seja votada no próximo dia 19 de fevereiro a reforma da Previdência “a maior greve geral deste país”.

Finalizando o ato na República, o ex-presidente Lula afirmou que a manifestação foi infinitamente maior que uma atividade eleitoral. “É um ato pela soberania popular, pontuou ao afirmar também que nunca teve ilusões sobre o comportamento dos juízes da Lava Jato porque, em sua opinião houve um pacto da mídia e do Judiciário para acabar com os avanços sociais conquistados nos governos Lula e Dilma. “Eu nem queria mais, mas essa provocação é uma grosseria e agora eu quero sim ser candidato a presidente da República do Brasil”, afirmou sob intensos aplausos. “Para mim, esse julgamento é uma oportunidade de sair pelo Brasil afora para discutir com o povo o que eu fiz e o que eles estão fazendo”, concluiu.

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