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07/04/2018
POLÍTICA

Ele se entregou no início da noite deste sábado, 7, à Polícia Federal, após quase 26 horas do prazo estipulado pelo juiz Sergio Moro.
Por Marcelo Menna Barreto (São Paulo) e Valéria Ochôa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está com a Polícia Federal (PF). Ele saiu a pé do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo às 18h44min de sábado, 7, através de um galpão próximo ao Sindicato, uma vez que nas duas tentativas de sair pelos portões foi impedido por militantes contrários à iniciativa de se entregar. Lula se entregou quase 23 horas depois do prazo inicial estipulado pelo juiz Sergio Moro, no mandado de prisão expedido na última quinta-feira, 5, e foi levado por comboio da PF à Superintendência da Polícia, na Lapa, em São Paulo. O trajeto levou cerca de 20 minutos e o exame menos de 15 minutos. Lula, então, foi levado de helicóptero ao aeroporto de Congonhas, de onde seguiu para Curitiba.

No final do dia, cerca de 3 mil militantes fizeram uma barreira humana nas três saídas do Sindicato dos Metalúrgicos para impedir a saída de Lula. Como tentativa de negociar a liberação do veículo de Lula, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR) e outras lideranças do partido subiram no caminhão de som postado à frente da entrada do Sindicato para explicar a vontade de Lula e as possíveis complicações decorrentes do não cumprimento do acordo com a PF. “Para o presidente Lula será pior não se entregar”, alegou.

“Eu sou uma ideia”

No final da manhã, após o ato religioso em homenagem à memória da ex-primeira-dama Marisa Letícia, Lula falou a com militância por cerca de uma hora. Lula disse que iria atender a decisão judicial porque queria provar que, “se eles acham que eu sou o problema do país, eles vão ver que existem milhões e milhões de Lula por aí. Eu não vou parar porque eu sou uma ideia misturada na ideia de vocês”, conclamando que todos os trabalhadores e as pessoas que tenham consciência política no país defendam as ideias pelas quais disse que acredita ser o real motivo da sua prisão: “Eles não querem o Lula de volta porque na opinião deles pobre não deve ter direito”.

Foto: Reprodução Midia Ninja

Ao descer do caminhão de som, Lula não conseguiu por seus pés no chão. Foi levado nos braços do povo até o interior do Sindicato.

Foto: Reprodução Midia Ninja

Diante dos gritos de “não se entrega”, Lula ainda ressaltou que a sua decisão de se entregar também servirá para provar que a possível “morte de um combatente não para uma revolução”. Finalizando, Lula promete que vai sair de “cabeça erguida e peito estufado”, porque tem a convicção de que não cometeu crime nenhum. “Essa cabeça não abaixa. A minha mãe já me fez com pescoço curto para isto”, ironizou.

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