CULTURA

Sabão ecológico e ressocialização

Por Gilson Camargo / Publicado em 12 de setembro de 2018
Produção de sabões é feita a partir de óleo de cozinha reciclado

Foto: Divulgação

Produção de sabões é feita a partir de óleo de cozinha reciclado

Foto: Divulgação

A professora de Biomedicina, Odonto e Fisioterapia da Faculdade CNEC Santo Ângelo, Débora Pedroso, idealizou e coordena o projeto Sabão Ecológico Curumim – uma fábrica construída pelos apenados no pátio do Instituto Penal de Santo Ângelo, onde ela também atua como agente penitenciária. A matéria-prima do produto que é destinado à população carcerária é o óleo de cozinha utilizado pelos moradores da região e a mão de obra é dos próprios presos.

“Os apenados transformam o material em sabão, utilizado no Instituto Penal de Santo Ângelo e em outros institutos e casas prisionais de abrangência da 3ª Delegacia Penitenciária Regional, atendendo um contingente de 2,1 mil pessoas”, explica a professora. A ideia surgiu da constatação de Débora de que faltavam materiais de higiene na casa prisional. Logo a iniciativa foi transformada em projeto e, em 2011, implantado, relata.

O Sabão Ecológico Curumim já venceu diversos prêmios de atenção à comunidade e é desenvolvido em parceria com a Faculdade CNEC Santo Ângelo, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o Poder Judiciário, o Conselho da Comunidade Penitenciária e empresas apoiadoras atualmente (Los Passos, Giraffas, Weinert, Casa Real, Flip Burger, Mercado Mattana). “A iniciativa contou com o aporte financeiro inicial de R$ 20 mil, da Eletrobrás/Eletrosul, via edital, mas depende unicamente da conscientização e do trabalho voluntário da comunidade escolar, de empresas e do público em geral em realizar o descarte correto nos ecopontos”, conta a professora.

Débora Pedroso: iniciativa com envolvimento da comunidade

Foto: Acervo Pessoal

Débora Pedroso: iniciativa com envolvimento da comunidade

Foto: Acervo Pessoal

Só em 2014 foram produzidas 20 mil barras de sabão por mês. Atualmente, são fabricadas em média 2 mil unidades por mês. “Dessa forma, o óleo deixa de ser descartado incorretamente e é transformado em material ecologicamente correto”, explica. “Ao mesmo tempo em que auxilia o meio ambiente, o projeto tem seu caráter de ressocialização, pois os apenados realizam trabalho em equipe e aprendem uma nova função que poderão exercer em sua reintegração na sociedade”. Para cada três dias de trabalho, é reduzido um dia de pena.

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