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Nº 030 | Ano 4 | Abr 1999
PELO BRASIL
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Da Redação

Enquanto os dados do IBGE, adotados pelo governo, apontam para um desemprego menor, apesar de crescente, os do Dieese mostram taxas cada vez maiores. Guerra dos números cria aberrações teóricas, como não considerar desempregado um trabalhador que vive de biscates

Em janeiro, o número de desempregados na região metropolitana de Porto Alegre chegou a 5,7% da população economicamente ativa (PEA), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto isso, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) apontou para um número bem maior: 17,2%.

Os dados de fevereiro de São Paulo, por outro lado, mostram que o desemprego caiu de 9,1% para 8,3% (IBGE) e subiu de 17,8% para 18,7% (Dieese). Afinal, quem está com a razão? A diferença nos números, na verdade, ocorre por razões metodológicas. Os dados do IBGE – utilizados pelo governo – incluem apenas parte dos desempregados computados pelo Dieese porque considera na pesquisa somente os dados da semana em é feita a apuração. Ou seja, se nos sete dias do levantamento do IBGE o trabalhador, mesmo que desempregado há um ano, não tiver enfrentado nenhuma fila de seleção será considerado apenas um “inativo”.

Os conceitos, por isso, são fundamentais para medir o desemprego real, razão para o desespero de milhões de famílias pelo país. Para o Dieese, o desemprego total é calculado a partir da soma dos desempregos aberto e oculto, ao contrário do IBGE, que só considera o aberto. E nessa questão também há divergência. Os dados do Dieese apontam 11,3% da população economicamente ativa em desemprego aberto no mês de janeiro em Porto Alegre, enquanto o IBGE mostra apenas 5,7%.

Sorria! Você está apenas inativo.

A ampliação do conceito de desemprego feita pelo Dieese é explicada pelas eventuais interrupções na procura por um novo posto de trabalho. O que significa que se uma pessoa está sem trabalho e procurando emprego nos últimos 30 dias será considerada desempregada pela instituição, mesmo que tenha cansado da incessante busca por trabalho ou tenha resolvido seu problema realizando uma tarefa qualquer em troca de remuneração.

Esse critério é utilizado também pelos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália etc. No México e Chile adotam-se dois meses como período de referência e, na Costa Rica, cinco semanas. Além disso, a pesquisa do Dieese considera desempregado quem está fazendo bico, o chamado desemprego oculto. Ao contrário do IBGE, que classifica o trabalho eventual como ocupação (por ser remunerada).

Em fevereiro, de acordo com o IBGE, o desemprego na grande Porto Alegre cresceu para 7,43% da PEA. A explicação do Instituto para o desempenho negativo é de que nesse mês sempre há maior procura em Porto Alegre. A capital gaúcha, junto com Salvador, apresentou maior índice de desemprego do país. A média nacional, de 7,51%, foi a segunda maior registrada para o mês de fevereiro desde o início da pesquisa, em 1983. O maior (7,82%) ocorreu em fevereiro de 1984.

Pelo Dieese, que ainda não tem a média nacional, o índice registrado em São Paulo, no mês de fevereiro foi o maior para o período desde a primeira pesquisa, em 1985. Em Porto Alegre, os dados de fevereiro do Dieese ainda não tinham sido tabulados até o fechamento desta edição.

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