Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 060 | Ano 7 | Abr 2002
ELISA LUCINDA

Elisa Lucinda

Na minha infância havia flores e frutas fáceis
que são hoje raríssimas.
Roseira e goiabeira no quintal
era uma coisa normal.
Veludo era uma flor linda meio maravilha,
uma flor levemente peludinha,
uma palavra rosa fúcsia
ou ainda púrpura como queira
a subjetividade do olho que der nome a essa cor.
Veludo era uma planta chique, eu achava,
e sei lá de que família.
Tinha 11 horas,
Uma florzinha rosinha roxeada
que abria só por essa hora.
Mulherezinhas que fechavam de noite
e abriam de dia.
E Dália, meu deus?
Se eu não disser Dália
parece que ela desaparece
parece que a flor nunca mais existirá
nunca mais será encontrada.
Dália.pra quem não conhece
como é que me cabe explicar?
Difícil explicar flor.
Descrevê-la conceituá-la cor pétalas e caule com seus merecimentos.

Araçá também sumiu.
Uma frutinha pequena prima da goiaba,
parecida com mas diferente de.
E Amora? Uns cachinhos delicadíssimos
que a gente quando vê no rótulo das geléias,
se não conheceu ao vivo,
fica pensando que a gravura é de algum importado de um pais da ficção
frio e longe, um país que nem se sabe pronunciar o nome.
Na minha memória de olfato e imagem
habitam essas cores,
esse colorido ciclone.

Meu deus, se eu não disser Dália
a palavra morrerá na minha mão
a palavra morrerá na minha boca.
Dália!
Ai de mim,
Dália não é palavra,
é jardim.

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