Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 088 | Ano 9 | Dez 2004
EXTRATO

César Fraga

Marina Colasanti, escritora, artista plástica, jornalista e tradutora, confirmou sua presença como palestrante na Aula Inaugural do Sinpro/RS – 2005, que será realizada em 03 de março de 2005, às 19 horas, no Teatro da Amrigs, (Av. Ipiranga, 5311 – Porto Alegre). A escritora é uma das pioneiras no Brasil na discussão de temas como gênero e relações afetivas.

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Ela lançou há pouco seu mais recente livro de textos inéditos: Fragatas para terras distantes (Record, 256 páginas). Nele, a escritora revela seu lado de ensaísta, estudiosa e amante da literatura. Este volume reúne conferências de Marina Colasanti sobre identidade cultural, leitura, escrita e literatura. Ao participar de encontros sobre literatura em países como Argentina, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos e México, a autora percorre o universo do livro em suas mais variadas direções, ora analisando o fenômeno Harry Potter, ora buscando responder a velha pergunta sobre a existência de uma literatura feminina.

A editora Record publica também A morada do ser, consagrado livro de contos da autora, lançado originalmente em 1968, que se encontrava fora de catálogo há alguns anos.

Marina já foi membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e ganhou numerosos prêmios. Entre eles, mais de 20 em publicidade; vários pela FNLIJ; 4 prêmios Jabuti – em literatura infantil, em crônicas e em poesia –; prêmio O Melhor Livro do Ano, da Câmara Brasileira do Livro; Grande Prêmio da Crítica, da APCA; o concurso Latino Americano de Cuentos para Niños, promovido em Costa Rica por Funcef/Unicef; e o latino-americano Prêmio Norma-Funda-lectura. Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, e reside no Brasil desde os 11 anos. Tem mais de 30 livros publicados entre contos, crônicas, poesia, ensaios e livros infantis. Veja abaixo as respostas de Marina Colasanti às perguntas feitas pelo Extra Classe via e-mail:

Extra Classe – O que define Marina Colasanti como escritora hoje? O que lhe motiva a escrever?
Marina Colasanti
– A definição não cabe a mim, cabe aos leitores e à crítica. A mim cabe dizer quais são as minhas intenções, qual o meu projeto literário. Não por acaso me dedico a vários gêneros literários. Na aparente fragmentação, busco uma diversidade de tons que me permita modular mais plenamente o meu discurso. Discurso que é um só, projeto que é de unidade. Vale dizer que, paralelamente à literatura, sempre desenvolvi um trabalho de reflexão crítica, quer na área de comportamento, quer na do fazer literário.

EC – Como a senhora definiria seu mais recente trabalho Fragatas para terras distantes?
Colasanti
– Fragatas reúne alguns artigos, dois prefácios e palestras que andei fazendo Brasil adentro e mundo afora. São pequenos ensaios sobre leitura e literatura, entre eles uma leitura comparada de Alice, Pinóquio e Peter Pan; um olhar deitado sobre Harry Potter; algo sobre poesia feminina medieval; escrever para o século XXI; enfim, temas diversos.

EC – A que a senhora atribui seus livros terem ficado tanto tempo fora do catálogo das editoras?
Colasanti
– Nem todos os meus livros ficaram tanto tempo fora das editoras. Alguns, os mais antigos – não podemos esquecer que publiquei meu primeiro livro em 1968 –, saíram de catálogo naturalmente, como A Morada do Ser, que acaba de ser reeditado pela Editora Record depois de uma ausência de quase de 20 anos. Ter livros esgotados e fora de comércio é destino de todo escritor. Agora, tendo mudado de editora, reeditarei boa parte dos que estavam ausentes. Em compensação, todos os meus livros para público infantil e juvenil – escrevo mais para os jovens do que para os bem pequenos – estão e estiveram sempre em catálogo, mesmo através de mudanças de editoras.

EC – Existe uma literatura feminina, ou essa abordagem coloca as mulheres em um gueto literário?
Colasanti
– Essa pergunta exige resposta alentada, bem-fundamentada, e eu a  dei no capítulo de Fragatas intitulado “Por que nos Perguntam se Existimos”. Para não deixar sua pergunta sem resposta, posso responder com outra pergunta: por que não existiria?, e com uma afirmação: os guetos nunca foram eliminados através do acultamento da identidade, e sim através da denúncia do gueto.

EC – Qual a importância de eventos como a Feira do Livro de Porto Alegre e Jornada de Literatura de Passo Fundo?
Colasanti
– A Feira do Livro é hoje um evento internacional que, inclusive, tem colaborado muito para a integração da nossa literatura com a literatura de língua hispânica dos nosso vizinhos continentais. Passo Fundo é uma festa, uma alegria literária da qual me orgulho de ter participado quando ainda engatinhava (a festa, não eu!).

Olhares sobre os EUA
O poder americano (456 páginas), conclui uma série de quatro volumes, publicados pela coleção Zero à Esquerda da Editora Vozes sobre as transformações mundiais do final do século 20 e sobre os novos cenários do século 21. Este novo livro, organizado pelo cientista político José Luís Fiori conta com artigos dele de outros autores: Maria Conceição Tavares, Luiz Gonzaga Belluzzo, Carlos Aguiar de Medeiros, Franklin Serrano, José Carlos de Souza Braga, Marcos Antonio Macedo Cintra, Ernani Teixeira Torres Filho, Gloria Moraes e Gabriel Palma. Os autores não compartilham de uma mesma visão analítica, o que eles têm em comum é sua visão do poder global americano e seu desejo de compreender a dinâmica e as tendências da economia política internacional contemporânea, preocupados com os espaços e perspectivas dos estados situados na periferia do sistema, em particular a América Latina e o Brasil.

Ainda, o golpe
Sessenta e quatro. Para não esquecer (Literalis, 175 páginas) é composto por textos de professores universitários, de jornalistas e militantes da resistência à ditadura militar, e por imagens do fotógrafo Assis Hoffmann. Feito para recuperar a memória, o livro traz um importante alerta no texto assinado por Nei Lisboa, “para lembrar é preciso conhecer e há ainda muitos documentos secretos que não foram abertos por nenhum governo”. Com exceção de Nei, os demais autores são professores da Pucrs: Osvaldo Biz (organizador), Áurea Tomatis Petersen, Elizabeth Rochadel Torresini e Arnoldo Tomatis Doberstein.

Avaliação em debate
O tema avaliação Escolar ainda é controverso e considerado um dos maiores entraves ao sucesso escolar. Marina Celina Melchior, mestre em Educação que traz no currículo, atuação em todos os níveis, traz para a discussão novas considerações sobre o assunto em seu livro Da avaliação dos saberes à construção de competências (Premier Editora, 179 páginas). Neste trabalho, a autora reflete sobre a construção dos saberes e competências a partir do processo de avaliação que acontece no cotidiano da sala de aula, da escola e da comunidade.

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