Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 098 | Ano 10 | Dez 2005
EXTRAPAUTA

A 10ª Marcha dos Sem reuniu no último dia 25, em Porto Alegre, cerca de oito mil pessoas e marcou os 10 anos no movimento. Várias colunas partiram de diferentes pontos da cidade para encontrarem-se em frente ao Banco Central e seguir para a Praça da Matriz. As muitas bandeiras de luta unificavam as aspirações dos movimentos sociais. A coluna da Farrapos reivindicou mudanças na política econômica, valorização do salário mínimo e redução da jornada de trabalho. O grupo que saiu da ponte defendeu acesso à terra, moradia e trabalho. Já o grupo que percorreu as avenidas Benjamin e Cristóvão pediu investimentos na segurança, saúde e educação. Os estudantes reivindicaram mais recursos para a educação pública e o fim do desmonte da Uergs provocado pelo governo Rigotto. Protestos se sucederam durante as caminhadas. Em frente à Bunge, uma multinacional, trabalhadores sem-terra protestaram contra a entrada ilegal de milho transgênico no Estado. Já na frente da Secretaria de Justiça e Segurança foi pedida a punição dos policiais que assassinaram, em 30 de setembro, na cidade de Sapiranga, o sindicalista Jair Antônio da Costa, dirigente do Sindicato dos Sapateiros de Igrejinha. Em frente ao Banco Central, os discursos enfatizaram a necessidade de o governo federal mudar a sua política econômica, baixando os juros e transformando o superávit primário em investimentos sociais. Agricultores familiares, organizados na Fetraf-CUT, protestaram contra o baixo valor pago pelo leite e pelo trigo. Cerca de 30 litros de leite foram despejados no asfalto em frente ao banco. Do Banco Central, os milhares de manifestantes se dirigiram à Praça da Matriz, onde se localiza o Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. No carro de som, dirigentes de partidos políticos de esquerda – PT, PSB e PCdoB – revezaram-se nas críticas ao modelo econômico do governo federal e à política de socialização do déficit fiscal do Estado feito pelo governo Rigotto, ao mesmo tempo em que libera incentivos fiscais às grandes empresas.

Trabalhadores das Fundações protestam

Os trabalhadores das Fundações estaduais e autarquias lançaram em novembro uma campanha de mídia (rádio, TV, outdoors, camisetas, adesivos, etc.) com o objetivo de mobilizar a categoria e pressionar o governo do Estado a atender as reivindicações dos trabalhadores das Fundações e autarquias. O objetivo é chamar a atenção da população gaúcha para o descaso do governo com o serviço público. Há quase dois meses, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais do RS (Semapi) deixou uma proposta na mesa de negociação de uma reposição de 9,96%, que corresponde à inflação acumulada dos últimos 18 meses. A contraproposta do Palácio Piratini de 4% de reajuste pelas duas datas-bases, sendo 2% em maio e 2% em julho de 2006, não atinge nem a metade deste percentual, sendo que seria para zerar 24 meses. Esta proposta foi rejeitada por mais de 800 trabalhadores em Assembléia Geral de Mobilização realizada no dia 26 de outubro. A Assembléia Geral também aprovou um dia de paralisação com o objetivo de construir uma greve por tempo indeterminado, que iniciará no dia 6 de dezembro. Haverá mobilização em todas as Fundações e autarquias, e uma nova assembléia definirá a realização ou não da greve por tempo indeterminado.

FUNDAÇÃO LIBERATO – Os professores e funcionários em Assembléia Geral rejeitaram a proposta do governo, aprovaram participar das atividades do próximo dia 6 e indicaram a possibilidade de não-retorno do ano letivo de 2006 caso o governo não apresente proposta que contemple a expectativa dos docentes.
Metade sul – Os reitores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), César Borges, e de Santa Maria (UFSM), Paulo Sarkis, assinaram, em reunião com o ministro da Educação, Fernando Haddad, convênio que dá início à criação de dez novos campi universitários na Metade Sul do Estado. Bagé, Jaguarão, Caçapava do Sul, Dom Pedrito e Santana do Livramento sediarão novos campi da UFPel, e Uruguaiana, São Gabriel, São Borja, Alegrete e Itaqui sediarão outros da UFSM. Serão investidos R$ 30 milhões de reais para o início das obras de instalação dos cursos superiores na região.

Greves, protestos e até mesmo conflitos armados marcavam os movimentos reivindicatórios das polícias civis e militares em todo o país, nos meses de junho e julho de 1997. O quadro que adquiriu a proporção de uma crise em âmbito nacional e colocou o Exército de prontidão, suscitou o debate sobre a função e o caráter das forças de segurança, marcadas por uma tradição militarista de abuso e violência. Vítimas da batuta neoliberal e do conseqüente desmonte do Estado Brasileiro, em todas as suas esferas, os agentes da segurança se descobriram como trabalhadores. Porém, inexperientes no exercício da cidadania, que tantas vezes são chamados a reprimir, aproximam-se do movimento sindical com timidez e reservas. Parte das entidades das categorias das forças policiais rejeitava os mecanismos de pressão consagrados pelas centrais sindicais e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Clássico instrumento de dominação, a polícia começou a se aproximar das lutas sociais, mas sua transformação em uma instituição democrática dependia de mudanças políticas, conceituais e constitucionais. Será que houve alguma transformação de lá para cá?

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