Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 102 | Ano 11 | Mai 2006
PALAVRA DE PROFESSOR

Laura Cristina Nardi

Vivemos numa sociedade onde quem tem mais é quem também é mais valorizado; onde o TER é prioridade e o SER acaba ficando em segundo plano.

Vivemos numa sociedade que quer vender a qualquer custo seus produtos, não importando tanto o benefício que os mesmos trarão para a vida das pessoas, mas sim o retorno financeiro.

Vivemos numa sociedade onde quem possui padrões de beleza, impostos pela mesma, é melhor e tem mais chances, tanto na vida pessoal, como na profissional.

Vivendo numa sociedade tão preocupada com bens materiais, com a beleza externa das pessoas e com a perfeição, poucos são aqueles que não se rendem à sedução de tais “ideais”. E aí começa uma grande corrida para alcançar padrões de vida, muitas vezes inalcançáveis.

Sabendo que todos temos participação ativa nesta realidade, é que se torna necessário um olhar diferente em relação à vida; um olhar que comece a tratar das questões referentes aos valores humanos, esses essenciais para uma vida mais equilibrada.

Na escola encontramos um lugar propício para trabalhar tais questões, pois estaremos em contato com crianças e adolescentes que se encontram nas fases de desenvolvimento mais importantes, onde intervenções poderão ser duradouras.

palavra

Arte: Rodrigo Vizzotto

Arte: Rodrigo Vizzotto

Em se tratando mais especificamente de crianças pequenas, em séries iniciais de aprendizagem, o que será que as mesmas levarão para a vida dos ensinamentos deixados pela escola? De qual professor terão mais lembranças? Questões estas importantes para pensarmos um pouco mais sobre como estamos conduzindo o processo de aprendizagem em nossas escolas.

Antigamente a relação entre professor e aluno era fria e distante, sendo que o professor era quem ensinava e o aluno era quem ficava num lugar passivo de quem só podia absorver o que lhe era transmitido. Por muitas vezes, isso que lhe era transmitido nada tinha a ver com a sua realidade.

Os conteúdos eram programados sem levar em conta o contexto dos alunos, pois a preocupação maior era com o acúmulo de conhecimentos, com a quantidade de conteúdos oferecidos e não necessariamente com a qualidade e serventia dos mesmos à vida dos educandos.

Essa visão de educação vem modificando-se, com a ajuda de educadores e escolas comprometidos com a verdadeira aprendizagem, a aprendizagem para a vida, a qual prioriza o lado humano, as questões que dizem respeito à vida, nunca deixando à parte os conteúdos-base de cada disciplina ou série, mas sim acrescentando a estes vivências onde os alunos podem fazer relação diretamente com a prática.

Precisamos de educadores com coragem para apaixonarem-se pela arte de educar! Precisamos de escolas onde os educadores tenham a liberdade de criar, de inventar, de ousar, sempre analisando o quanto tais atividades deixarão marcas na vida dos educandos, pois, numa escola onde os educadores sentem-se permitidos a ir longe, tudo pode acontecer… Inclusive, a vida ali florescer!

 

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