Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 102 | Ano 11 | Mai 2006
EXTRAPAUTA

Como já dizia Salomão, nada de novo sob o sol. A não ser o que já havia, porém pior. Conforme estudo divulgado neste abril de 2006, da Fundação de Economia e Estatística – FEE, a mortalidade por causas violentas, leia-se acidentes de trânsito, homicídios e suicídios, vitimou 6.873 gaúchos em 2004, representando 9,6% dos óbitos naquele ano. O estudo é da estatística Marilene Dias Bandeira, com base em estudo publicado na edição de abril da Carta de Conjuntura FEE. Segundo a pesquisadora, esse tipo de morte ocupou a quarta colocação entre os grupos de causa de mortalidade, sendo superado apenas pelas doenças do aparelho circulatório, neoplasias e doenças do aparelho respiratório. O estudo sublinha que a mortalidade por causas externas, ou óbitos violentos, afetou, em 2004, em especial os adolescentes e os jovens do sexo masculino. “Tanto que 82% desse tipo de óbito ocorreram na população masculina, sendo que 72% dos óbitos entre a população de 15 a 19 anos decorreram desse grupo de causas”, afirma, lembrando que os homicídios e os acidentes de trânsito são os principais responsáveis, representando cerca de 70% das ocorrências com vítimas fatais nessa faixa etária. “Os homicídios representaram 44% dos óbitos em 2004, revelando uma tendência de crescimento na participação, enquanto suicídios e afogamentos foram as causas de cerca de 20% das mortes por causas externas entre a população da faixa dos 15 aos 19 anos”, conclui. Vale lembrar que há apenas seis anos, quando o Extra Classe publicou a matéria “Esses moços, pobres moços” (http://www.sinprors.org.br/extra/out00/comportamento1.asp), em outubro de 2000, o índice de jovens vítimas de homicídio, conforme o Ministério da Saúde, nessa faixa etária, era de 26,6%, e a média nacional da época era de 44%. Porto Alegre ficava bem abaixo no ranking de homicídios de jovens, que trazia 57,6% registrados em São Paulo, 53,5% em Recife e 52,1% no Rio de Janeiro.

Cabeça a prêmio

O preço da cabeça do paraense Tarcísio Feitosa, militante ambiental, que já recebeu várias ameaças de morte, ficou mais caro. A inflação no mercado de matadores se deve ao fato de ele ter recebido o Prêmio Goldman (US$ 125 mil) pela luta por reservas florestais em zona de conflito, uma espécie de “Prêmio Nobel” ambiental. Para ele, em declaração à Folha de S.Paulo, “a floresta tropical não precisa só de unidades de conservação; precisa também de dinheiro. E esse dinheiro viria fácil se o governo resolvesse cobrar de madeireiros e pecuaristas o enorme passivo ambiental da Amazônia e aplicá-lo num fundo que pudesse financiar atividades econômicas ambientalmente corretas”. O jovem de 34 anos nasceu e se criou às margens do rio Xingu, em Altamira, Pará. Ele foi premiado dia 25 nos EUA. A honraria já foi concedida para outros dois brasileiros, o antropólogo Carlos Alberto Ricardo, do Instituto Sócio-Ambiental, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Feitosa milita junto à Comissão Pastoral da Terra e ajudou a denunciar, em 2000, a exploração ilegal de mogno na Terra do Meio. Também liderou a criação de unidades de conservação na região do Xingu, numa área maior que a da Inglaterra. Hoje é conselheiro do Fundo Dema, iniciativa que gerencia R$ 5 milhões obtidos com a venda do mogno apreendido na região, para desenvolver a agricultura familiar. “Imagine se o governo brasileiro pegasse todas as multas aplicadas na Amazônia, cobrasse e fizesse um fundo para isso? O passivo criminoso ambiental da Amazônia precisa ser cobrado e pago”, afirmou ele à Folha. Filho de seringueira e ex-catador de caranguejo, Feitosa é militante desde os 15 anos. Ele mora em Altamira com a mulher e dois filhos e ele mesmo ironizou ao diário paulista que sua cabeça já vale uns “trocados a mais”.

Animalidades

De acordo com reportagem da jornalista Larissa Gomes para o site www.contasabertas.com.br, o “Zoológico” da União consome mais recursos do que o programa de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Alimentar os peixes que decoram os espelhos d’água de órgãos públicos, ou ainda os cavalos do Ministério da Defesa e cobaias para experimentos científicos custou para a União R$ 20,5 milhões em 2005. De acordo com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), a compra de alimentos para os animais dos Três Poderes ultrapassou o valor aplicado pelo governo no programa de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, que foi de R$ 14,9 milhões, no ano passado. Nos últimos cinco anos, foi 2003 o ano em que os animais da União mais “encheram a barriga”. De acordo com dados do Siafi, esse foi o período em que as despesas dos Três Poderes com o item atingiram o maior patamar desde 2001, chegando a R$ 20,8 milhões. O dinheiro gasto na ocasião foi superior à quantia desembolsada em 2005, mesmo sem considerar os reajustes da inflação.

Campanha sem showmícios

Projeto aprovado em votação simbólica proíbe a apresentação de artistas em comício e reuniões eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidirá se a regra já vale para este ano. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou no dia 18 de abril, em votação simbólica, o projeto de reforma eleitoral que proíbe, entre várias ações, a apresentação, paga ou não, de artistas em comícios e reuniões eleitorais. Motivada pelas denúncias de irregularidades e corrupção investigadas pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, a CCJ aprovou ainda a proposta que aumenta a pena para casos de “caixa dois”, variando de três a cinco anos, mais multa de R$ 20 mil a R$ 50 mil. O projeto será sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não se sabe ainda se as regras valerão para as eleições deste ano. Até o fechamento desta edição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não havia decidido.

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