Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 106 | Ano 11 | Set 2006
PALAVRA DE PROFESSOR

Rejane Freitas Theodoro

A partir de inquietações e observações diárias, venho desenvolvendo um trabalho com crianças na faixa etária compreendida entre cinco e seis anos, o qual objetiva investigar a influência das mídias na vida de nossas crianças.

Enquanto pedagoga, percebo o quão perversa vem sendo a relação das mídias com o público infantil. Basta assistir a um programa destinado às crianças que somos surpreendidos com propagandas apelativas, as quais induzem ao consumismo. Em um único intervalo comercial, encontramos desde o incentivo à escolha do xampú, passando pelos brinquedos, lanches, até o que deve ser consumido no jantar. Mensagens como “corpo perfeito”, “fomento à sexualidade”, entre outras, são embutidas a todo momento.

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Ilustração: Claudete Sieber

Ilustração: Claudete Sieber

Percebe-se com isso, o quanto as mídias têm influenciado suas escolhas. A infância está sendo cada vez mais explorada. Existem estudos como o Born to the buy, realizado por Julie B. Schor, que aborda tal questão. A autora relata que crianças com apenas oito meses de idade já são capazes de identificar uma logomarca; aos três anos, elas são capazes de reconhecer quem pertence ao mesmo “grupo social” pelo simples uso que faz de um objeto que vem sendo veiculado pela mídia, como, por exemplo, o consumo de um produto de uma determinada marca.

Tendo como base a investigação cotidiana, tenho procurado desenvolver atividades como releitura de contos, músicas, propagandas e programas infantis, com o intuito de oferecer às crianças uma oportunidade de pensar a respeito de suas escolhas.

Deixo aqui um convite aos leitores. Sugiro que façamos algumas reflexões: “Enquanto educadores pertencentes a uma ‘sociedade globalizada e consumista’, que educação temos destinado aos nossos pequenos? Quais valores estão embutidos em nossas ações cotidianas? O que pretendemos construir junto a eles – valores de consumo, de competição, de anulação do outro, ou, ao contrário, pretendemos edificar uma sociedade mais justa valorizando uma prática de vida que respeite as singularidades e as dimensões afetiva, social e ética do ser humano?”.

Pensemos, avaliemos e invertamos a lógica que vem sendo sustentada!

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