Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 111 | Ano 12 | Mar 2007
ECONOMIA

A partir da crise da dívida externa, logo no início da década de 1980, o Brasil passou a dar sinais de abandono do longo ciclo de rápida expansão econômica, que era acompanhado pelo movimento de estruturação do mercado de trabalho (forte expansão do emprego assalariado formal e decréscimo das ocupações precárias e do desemprego). O que se verifica nos últimos 25 anos (1981-2006) corresponde à fase de semi-estagnação econômica, simultaneamente perseguida pelo movimento de desestruturação do mercado de trabalho (desaceleração do emprego assalariado formal e expansão do desemprego e das ocupações precárias).

Entre os anos de 1990 e 2005, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu somente 2,41% como média anual. No mesmo período de tempo, contudo, a expansão média anual da população economicamente ativa foi de 2,76%.

Essa situação de ordem nacional não foi a única expressão das realidades regionais. De um lado, a região Norte registrou uma expansão média anual do PIB de quase 5,2%, seguida da região Centro Oeste, e, de outro, a região Sudeste com pior desempenho econômico – somente 1,8% ao ano de crescimento médio anual.

Quando se considera a evolução dos ocupados, observam-se também fortes sinais de discrepância regional. De maneira geral, quanto mais intenso o ritmo de expansão do produto, mais alto tende a ser o aumento do emprego formal. O mesmo não se observa em relação ao total da ocupação, tendo em vista o comportamento diferenciado da ocupação informal. Somente as regiões Norte e Sudeste registram comportamentos do emprego formal e informal relativamente próximo, enquanto as demais regiões geográficas apresentam expansões do emprego formal mais intensas do que as do emprego informal.

Neste sentido, percebe-se que, apesar do baixo ritmo de expansão do produto, registraram-se ganhos de produtividade acumulados entre 1990 e 2005, especialmente para as regiões Sul e Centro Oeste. Em grande medida, isso somente tornou-se possível por intermédio de um significativo ajuste no interior do mercado de trabalho, com a contenção dos postos de trabalho e a redução real do rendimento dos ocupados. Das cinco grandes regiões geográficas do país, somente o Sul apresenta aumento no rendimento médio dos ocupados. As demais regiões registram queda no rendimento real médio dos ocupados, principalmente nas regiões Norte e Sudeste.

Adicional ao movimento de precarização dos postos de trabalho no Brasil, assistiu-se também ao agravamento do desemprego. De um lado, nota-se que o ritmo de expansão dos postos de trabalho foi menor do que o movimento de ingresso de novas pessoas no mercado de trabalho. A maior intensidade disso ocorreu justamente nas regiões Norte e Centro Oeste, responsáveis pelos maiores ritmos de crescimento da economia regional. Mas isso, possivelmente, encontra-se associado ao fenômeno migratório, com maior concentração nas regiões de fronteira agropecuária e de extrativismo mineral do país. Essas regiões absorveram migrantes, enquanto a região Sudeste passou a expulsar mão-de-obra para outras regiões.

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