Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 114 | Ano 12 | Jun 2007
FRAGA

Você já foi à Disneylíngua? Então vá.

É um dos parques temáticos mais divertidos. Localiza-se à direita de quem entra, no hemisfério esquerdo do cérebro. Funciona sem parar, portões abertos à oralidade e à escrita, pro recreio da linguagem. Agora mesmo, enquanto lê, você está lá dentro. Onde será que a leitura vai parar? Só lendo.

As primeiras idas à Disneylíngua começam na infância, claro.

O dadá-gugu é o brinquedo inicial e a mente se ilumina no carrossel de sons. Imagine os rodopios silábicos dum bebê. Mais um tempo e ele está pronto pra rimar.

Assim que se orienta nesse lúdico território, que vai do balbucio risonho à balbúrdia risível, a criança se esbalda. Um dos gozos lingüísticos é subir no aparelho trocadilhista, a geringonça verbal favorita da humanidade, por ser gargalhável. Na desordem das sílabas e palavras, o trocadilhátero embaralha termos e destrambelha textos. Os efeitos matam de rir ou de raiva. Os brincalhões justificam o prazer: quanto mais infame, melhor. Seja como for, depois de uma volta, nunca mais se desce. Claro que já trocadilhei pra valer, olhe: Como dizia o jardineiro para o primogênito ajudante no jardim: meu filho, um dia todo inço será teu.

Outro dos equipamentos habituais dos freqüentadores da Disneylíngua são os Trava-língua. E o clássico dos clássicos é:

Um ninho de mafagafos, com cinco mafagafinhos, quem desmafagafizar os mafagafos, bom desmafagafizador será. Experimente um e você quer andar na lista toda. Uma vez publiquei este: O grau da grua da draga gradeada agradou o degredado graduado no degrau.

Se a pessoa é veterana na Disneylíngua, aí arrisca passeios mais altos, a adrenalina léxica e fonética. Embarca no Palindródromo, antigo e tentador divertimento cultural. O fascínio da frase lida da esquerda pra direita e vice-versa, delicioso vai-e-vém dos sentidos, ida e volta arduamente construída. Desde os simplinhos, como Roma me tem amor, ou o famoso (aqui completo) Socorram-me, livres, subi no ônibus servil em Marrocos, palíndromo é atração mental das melhores. (Para proteger os meus, só mostro em livro!)

E há mais diversão: Oxímoros (a contradição em termos, como Inteligência Militar), Pangrans (frase que usa todas as letras do alfabeto, como esta da net: Blitz prende ex-vesgo com cheque fajuto. Quanto menor, melhor.) e Anagramas (como a obra-prima Anagrams = Ars Magna). Etc.

Vá à Disneylíngua. O passaporte é a sua imaginação.

Marcado .Adicionar aos favoritos o permalink.
© Copyright 2014, Jornal Extra Classe - Todos os direitos reservados.

Os comentários estão encerrados.


CONTEÚDOS RELACIONADOS