Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 115| Ano 12 | Jul 2007
PALAVRA DE PROFESSOR

Prof. Paulo Gomes*

Considerando que temos hoje mais de 300 museus em funcionamento, distribuídos nos diversos municípios, como não incluí-los no processo educacional? Mas como tratar as visitas aos museus? Uma visita onde os alunos são tratados como visitantes comuns ou como uma aula fora da sala de aula, com acesso a informações nem sempre disponíveis em aula?

A primeira iniciativa é a de saber como diferenciar e respeitar as especificidades de cada uma das duas instituições – escola e museu. A educadora Martha Marandina (2001) esclarece estas diferenças, ao colocar que o objetivo da escola é a instrução e a educação e que o objetivo do museu é recolher, conservar, estudar e expor seu acervo; que o público da escola é cativo e estável e o público do museu é livre e passageiro; que a escola estrutura-se em grupos (classes por idade e graus) e o museu incluí a todos sem distinção; que a escola possui um programa imposto enquanto o museu organiza seu próprio discurso; que a escola é concebida para atividades em grupo e o museu para atividades individuais ou em pequenos grupos; que a escola tem um ano para suas atividades, enquanto uma visita ao museu dura, no máximo, duas horas e, finalmente, que a atividade da escola é fundada no livro e na palavra enquanto a atividade do museu é fundada no objeto.

O professor deve buscar no museu vínculos com as temáticas científicas universais e não ansiar em atrelar a visita ao museu ao programa da sua disciplina. É importante que o professor compreenda que o museu, além dos conteúdos formais, deve ampliar a cultura dos alunos (Marandina: 2001) e que é importante fazer do museu um lugar de prazer e aprendizagem, criando um clima de empatia dos estudantes com o museu e seu acervo e estimulando-os a ver, não esquecendo que a visão é o meio privilegiado de comunicação da contemporaneidade.

Devemos nos preocupar, antes de tudo, com a educação do olhar dos estudantes. A questão do excesso de palavras, de discursos e de explicações só nos deixa mais conscientes do paradoxo de vivermos num mundo saturado de imagens e termos uma educação prioritariamente fundada nos textos. O professor deve estimular o princípio da observação, da comparação, da análise e da síntese e, assim, o museu poderá ser um instrumento utilíssimo para a educação do estudante e um grande auxílio para o professor.

Podemos perguntar, com Dora Maria Dutra Bay, “Pode o professor transladar para o contexto da escola algumas das práticas educativas de museus? De que forma o educador se serve dos conceitos, dos procedimentos e das vivências lá ocorridas para complementar ou aperfeiçoar suas prática escolar?” Acreditamos que sim, mas, principalmente, não devemos esquecer que a educação também deve ser prioritariamente a educação da sensibilidade.

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