Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 121 | Ano 13 | Mar 2008
EXTRAPAUTA

Um aluno em Brasília é vendido por R$ 5,5 mil e em Passo Fundo, por R$ 4,1 mil. Saiba como. Em setembro passado, o Extra Classe anunciou que o grupo Anhangüera Educacional Participações S.A. estava negociando a compra da Faculdade Planalto (Faplan), de Passo Fundo. Em outubro recebemos correspondência assinada por Daniela Urio, Coordenadora de Marketing do Sistema Educacional Garra, que é a mantenedora da instituição, afirmando em nome da direção que as negociações haviam sido encerradas, e que não haveria a venda, correspondência que foi publicada na página 2 do EC de novembro. Afinal, o anúncio da venda poderia atrapalhar o período de matrículas e com isso reduzir a quantidade de alunos, ou melhor, da “carteira de clientes” que estava em negociação. Porém, os fatos invariavelmente desmentem os desmentidos. Em nota à imprensa, o grupo Anhangüera anunciou no dia 15 de fevereiro último a aquisição de mais um estabelecimento no estado, justamente a Faplan.

Comércio de estudantes II

Conforme o vice-presidente Acadêmico da Anhangüera, Prof. José Luis Poli, a instituição seguirá com os mesmos valores de anuidade e a mesma grade curricular. “O corpo docente também não sofrerá nenhuma reestruturação imediata”, garante. Os valores divulgados da negociação consistem em R$ 7,936 milhões pagos aos sócios e outros R$ 2,35 milhões, que correspondem ao endividamento líquido assumido, conforme o próprio site da Anhangüera. Há especulações de fontes ligadas à instituição vendida de que o negócio tenha envolvido somas bem mais vultosas. O número de alunos de Ensino Superior previsto na Instituição para o primeiro semestre letivo de 2008 é de 2,5 mil, o que representa um múltiplo por aluno de R$ 4,1 mil. Todas as informações sobre as transações e mercado de ações estão disponíveis em www.unianhanguera.edu.br.

Comércio de estudantes III

Dois dias depois da compra da Faculdade Planalto, a Anhangüera anunciou a aquisição da Sociedade Educacional de Ensino Superior do Lago (Sesla), mantenedora da Faculdade de Negócios e Tecnologias da Informação (Facnet), no Distrito Federal. Desta vez, o preço estabelecido por aluno foi de R$ 5,5 mil. Com isso, a Anhangüera expande sua atuação no quarto maior mercado de Ensino Superior do país. A negociação custou R$ 20,480 milhões, sendo R$ 11,243 milhões referentes a endividamento líquido assumido.

Comércio de estudantes IV

No site da Confederação Nacional dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Ensino (Contee), uma nota destaca que, se por um lado a Anhangüera Educacional impressiona os seus acionistas por meio da aquisição de novas faculdades, por outro, não explica a razão da falta de pagamento de títulos que estão sendo protestados no 1º Tabelião de Protestos de Itatiba, sob protocolo 0015/13022008-3 (Anhangüera Educacional SA CNPJ 05808792/0001-49), conforme publicação no Jornal de Itatiba (www.ji.com.br) do dia 16/02/2008. A emissão de títulos nãoresgatados como recurso utilizado por empresas para se capitalizarem em períodos de expansão nem sempre resulta em finais felizes. Há vários exemplos por aí, no mercado, inclusive no educacional. Vale destacar que a Contee segue em 2008 com sua campanha nacional, com apoio de diversas entidades, intitulada “Educação não é mercadoria”, cujo slogan da segunda fase é justamente “Comercializar estudantes é crime”. Confira os materiais emwww.sinprors.org.br/campanhacontee.

Comércio de estudantes V

A Anhangüera Educacional existe desde 1994, e é formada por 34 unidades de ensino distribuídas em várias localidades do país, com aproximadamente 87 mil alunos. No Rio Grande do Sul, com a compra da Faplan, em Passo Fundo, a Anhangüera passa a contar com três instituições. Em julho de 2007 a Anhangüera Educacional comprou a Sociedade Educacional Noiva do Mar. Com isso, o grupo passou a controlar as Faculdades Atlântico Sul, com três sedes em Rio Grande e duas em Pelotas. A Anhangüera foi a primeira instituição de ensino a negociar ações na Bovespa, no começo de 2007. Até setembro do ano passado ela teve 75% dos papéis comprados por investidores estrangeiros – atualmente não há limites legais para o investimento estrangeiro em universidades no país – e já havia captado R$ 350 milhões. O valor do patrimônio líquido contábil da Companhia era, em 30 de setembro de 2007, de R$ 492.456.000,00.

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