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Nº 121 | Ano 13 | Mar 2008
ENSINO PRIVADO
DEMISSÕES

O período de dezembro a março sempre foi marcado por demissões, que oscilam conforme o ritmo de expansão das escolas. De dezembro de 2007 e fevereiro de 2008, foram demitidos 1.333 professores – 925 na Educação Básica e 408 na Educação Superior. Novas homologações deverão ser feitas até o final de março. Em comparação com as rescisões realizadas no mesmo período do ano passado, houve redução. No entanto, tem crescido o número de denúncias de professores demitidos que sofreram constrangimentos pelas instituições.

“O grau de frustração com que os professores chegam ao Sindicato para homologarem suas rescisões tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. É de se lamentar que professores que “vestem a camisa” da instituição e que se dedicam anos à sua construção sejam descartados de forma tão desrespeitosa”, expõe Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS.

Levantamento do Sinpro/RS mostra que o perfil dos demitidos em geral é de professores com mais tempo de trabalho na instituição, aposentados, pós-graduados, com especialização em áreas que estão sendo desativadas ou em projetos de pesquisas abandonados por universidades. Muitos deles, passaram por episódios de humilhações por parte dos empregadores.

CONSTRANGIMENTOS – No início de fevereiro, o Sinpro/RS ingressou, no Ministério Público do Trabalho (MPT), com denúncia de assédio moral coletivo contra a Associação Servos da Caridade – Colégio Don Luís Guanella e a supervisora da instituição. A denúncia foi embasada pelo relato de uma professora demitida da escola no final de 2007. A docente relatou que a supervisora passou o ano letivo atribuindo apelidos vexatórios aos professores e auxiliares de administração escolar. Em uma festa de confraternização, foi promovido um concurso com troféus e faixas, agravando os constrangimentos: a professora recebeu uma faixa na qual estava escrito “A mais avoada” acompanhada de um troféu que consistia em um avião de papel. Além desse caso, também foi eleito um empregado dos serviços gerais como “O qualquer coisa”.

PASTOR DOHMS – No segundo semestre de 2007, os professores da Escola Cavalhada, em Porto Alegre, começaram a notar estranha movimentação nos corredores. Eles estavam sendo observados por pessoas que mais tarde
identificariam como integrantes da direção do Centro Educacional Pastor Dohms, que havia comprado a escola. Em outubro, começou um processo de avaliação e seleção do corpo docente da Escola Dohms Cavalhada. Os 12 professores do Cavalhada foram avaliados com base no perfil da nova escola. O processo consistia em agendamento prévio com cada professor, apresentação de autobiografia escrita à mão com número limitado de laudas, carta de intenções contendo razões pelas quais o professor queria participar do “Projeto Dohms”, entrevista de 90 minutos com a coordenadora e com a diretora. Os professores também se submeteram a vários testes, dentre eles, o questionado teste Bender. De acordo com relato de uma das professoras, “o grupo foi sumariamente demitido antes mesmo de ter oportunidade de mostrar seu trabalho”. O Sinpro/RS notificou a instituição e ingressou com uma denúncia no MPT.

SENHOR BOM JESUS – Professores relataram episódios de desrespeito por parte da direção contra os alunos. O desrespeito aos professores vai desde a convocação para trabalhar em festas e eventos sem remuneração até a obrigatoriedade do uso de uniforme comprado pelo próprio professor, irregularidades nos contracheques, desautorização do professor em reuniões na sala de aula e controle dos conteúdos. Professores relataram que chegaram a ser impedidos de promover atividades alusivas ao Dia da Consciência Negra e que alunos foram aprovados ou reprovados sem a anuência dos professores. O Sinpro/RS ingressou com ação na Coordenadoria da Criança e do Adolescente e com representação do Trabalhador do MPT.

SEVIGNÉ – De acordo com o relato de professores demitidos do Colégio Sevigné, a escola adotou a política de não trabalhar com professores aposentados e de privilegiar pessoal com menos tempo de casa. “O que observo é que os professores com mais tempo de casa, com quadriênios e outras vantagens salariais obtidas com o aprimoramento acadêmico são os alvos preferenciais das demissões”, afirma uma docente da instituição, que prefere não ser identificada. A diretora do Sinpro/RS destaca a importância das denúncias sobre os casos de constrangimentos pois permite que o Sindicato tome as medidas necessárias para garantir a dignidade dos docentes e impedir que fatos violentos como os apontados continuem a acontecer. O Sinpro/RS já constituiu um profissional de psicologia para trabalhar junto aos professores demitidos em Porto Alegre.

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